Panorama nacional do uso da Comunicação Aumentativa e Alternativa por musicoterapeutas: perfil profissional, demandas clínicas e desafios
DOI:
https://doi.org/10.33871/2317417X.2026.23.12008Palavras-chave:
Musicoterapia, Comunicação Aumentativa e Alternativa, Perfil Profissional, Formação ProfissionalResumo
O presente estudo teve como objetivo traçar o panorama nacional do uso da Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA) por musicoterapeutas no Brasil, investigando o perfil profissional, as demandas clínicas e os desafios enfrentados. A metodologia caracterizou-se como uma pesquisa observacional, transversal e exploratória, do tipo survey, realizada com 181 musicoterapeutas por meio da aplicação de um questionário semiestruturado. Os resultados revelaram um perfil predominantemente feminino (69,6%), na faixa etária de 30 a 49 anos e residente na região Sudeste (58,6%). Quanto à prática, o uso da CAA mostrou-se heterogêneo: enquanto uma parcela utiliza os recursos com frequência, 19,3% utilizam raramente e 14,9% nunca utilizaram. Foi identificada uma significativa lacuna formativa da musicoterapia quanto à CAA, visto que 73,5% dos participantes não possuem formações complementares na área. As principais dificuldades citadas pelos participantes foram a falta de conhecimento para utilizar e personalizar os recursos associados ao contexto musical. O estudo mapeou o uso da CAA por musicoterapeutas no Brasil e evidenciou lacunas formativas importantes, apesar de as demandas clínicas acerca de pessoas com necessidades complexas de comunicação (PNCC) estarem frequentemente presentes na rotina musicoterapêutica. As limitações incluem a baixa representatividade do Norte e Nordeste. Recomenda-se incluir CAA nas grades curriculares da formação em Musicoterapia e ampliar estudos sobre seus impactos na autonomia e participação social das PNCC em conjunto com esta especialidade.
Downloads
Referências
Presidência da República, Casa Civil, Subchefia para Assuntos Jurídicos. (2009). Decreto nº 6.949, de 25 de agosto de 2009: Promulga a Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e seu Protocolo Facultativo, assinados em Nova York, em 30 de março de 2007. Diário Oficial da União. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2009/decreto-/d6949.htm
Chazin, K. T., Ledford, J. R., & Pak, N. S. (2021). A systematic review of augmented input interventions and exploratory analysis of moderators. American Journal of Speech-Language Pathology, 30(3), 1210–1223. https://doi.org/10.1044/2020_AJSLP-20-00102
Fernandes, F., Barbalho, I., Bispo Júnior, A., Alves, L., Nagem, D., Lins, H., Arrais Júnior, E., Coutinho, K. D., Morais, A. H. F., Santos, J. P. Q., Machado, G. M., Henriques, J., Teixeira, C., Dourado Júnior, M. E. T., Lindquist, A. R. R., & Valentim, R. A. M. (2023). Digital alternative communication for individuals with amyotrophic lateral sclerosis: What we have. Journal of Clinical Medicine, 12(16), 5235. https://doi.org/10.3390/jcm12165235
Freire, M., Martelli, J., Sampaio, R., & Parizzi, M. B. (2021). Musicoterapia improvisacional musicocentrada e crianças com autismo: relações entre desenvolvimento musical, ganhos terapêuticos e a teoria da musicalidade comunicativa. Música Hodie, 21. https://doi.org/10.5216/mh.v21.62311
Gadberry, A. L. (2011). A survey of the use of aided augmentative and alternative communication during music therapy sessions with persons with autism spectrum disorders. Journal of Music Therapy, 48(1), 74–89. https://doi.-org/10.1093/jmt/48.1.74
Gadberry, A. L., & Sweeney, A. (2017). An explorative study examining augmentative and alternative communication training in the field of music therapy. Journal of Music Therapy, 54(2), 228–250. https://doi.org/10.-1093/jmt/thx003
Geretsegger, M., Elefant, C., Mössler, K. A., & Gold, C. (2022). Music therapy for people with autism spectrum disorder. Cochrane Database of Systematic Reviews, (5), CD004381. https://doi.org/10.1002/14651858.CD004381.pub4
Kent-Walsh, K., & McNaughton, D. (2005). Communication partner instruction in AAC: Present practices and future directions. Augmentative and Alternative Communication, 21(3), 195–204. https://doi.org/10.1080/07434610500283525
Koshimori, Y., Akkunje, P. S., Tjiandri, E., Kowaleski, J. B., & Thaut, M. H. (2025). Music-based interventions for nonfluent aphasia: A systematic review of randomized control trials. Annals of the New York Academy of Sciences, 1549(1), 92–111. https://doi.org/10.1111/nyas.15387
Light, J., & McNaughton, D. (2014). Communicative competence for individuals who require augmentative and alternative communication: A new definition for a new era of communication? Augmentative and Alternative Communication, 30(1), 1–18. https://doi.org/10.3109/07434618.2014.885080
Martinez, L. S., & Pires, S. C. F. (2022). Profile of speech-language pathology care focused on augmentative and alternative communication. Audiology – Communication Research, 27, e2642. https://doi.org/10.1590/2317-6431-20-22-2642en
Matos, R., & Ferreira, R. N. (2017). Brasil em crise e o emprego formal no Sudeste. Caminhos de Geografia, 18(61), 150–164. https://doi.org/10.14393/RCG186-110
Saussure, F. de. (2006). Curso de linguística geral. Cultrix.
Shi, Z., Wang, S., Chen, M., Hu, A., Long, Q., & Lee Y. (2024). The effect of music therapy on language communication and social skills in children with autism spectrum disorder: A systematic review and meta-analysis. Frontiers in Psychology, 15, 1336421. https://doi.org/10.3389/fpsyg.2024.1336421
Toffolo, M. R. (2010). Improvisação no setting musicoterápico: uma experiência com pacientes adultos cegos. Brazilian Journal of Music Therapy, (10).
Wandin, H., Tegler, H., Svedberg, L., & Johnels, L. (2023). A scoping review of aided AAC modeling for individuals with developmental disabilities and emergent communication. Current Developmental Disorders Reports, 10, 123–131. https://doi.org/10.1007/s40474-023-00275-7
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Briam de Castria Paim, Gleisson do Carmo Oliveira, Carolina Lisbôa Mezzomo

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
A Revista InCantare adota acesso aberto e o copyright dos artigos e da entrevista pertence aos respectivos autores/entrevistados com cessão de direitos para a Revista InCantare no que diz respeito à inclusão do material publicado (revisado por pares/postprint) em sistemas/ferramentas de indexação, agregadores ou curadores de conteúdo.
Os artigos publicados por esta Revista são de livre uso para compartilhar. É preciso dar o crédito apropriado, prover um link para a licença e indicar se mudanças foram realizadas.
A Revista InCantare não cobra qualquer tipo de taxa para submissão e/ou publicação de artigos.











