“Aquela Colcha de Retalhos que tu fizeste’’: Musicoterapia e sintomas depressivos em idosos institucionalizados

Autores

DOI:

https://doi.org/10.33871/2317417X.2026.23.12051

Palavras-chave:

Idoso, Depressão, Musicoterapia, Instituição de Longa Permanência para Idosos, Saúde Mental

Resumo

O envelhecimento populacional acelerado no Brasil é acompanhado pelo aumento de sintomas depressivos em pessoas idosas institucionalizadas. Diante da necessidade de abordagens não farmacológicas, este estudo investigou os efeitos de uma intervenção musicoterapêutica grupal em residentes de uma Instituição de Longa Permanência em Belo Horizonte. Realizou-se uma pesquisa exploratória qualiquantitativa com sete participantes, ao longo de dez semanas, sob o eixo narrativo “Colcha de Retalhos”, utilizando técnicas da Musicoterapia Neurológica e experiências de audição, improvisação, recriação e composição. Os dados foram coletados via Escala de Depressão Geriátrica, Avaliação Cognitiva da Pessoa Idosa em Musicoterapia e diários de campo. A análise quantitativa via modelagem estatística não revelou mudanças significativas em âmbito grupal, contudo, a análise idiográfica demonstrou trajetórias clínicas subjetivamente relevantes. A triangulação de dados apontou melhora no engajamento, na vitalidade emocional e no fortalecimento de vínculos sociais. Observaram-se padrões de resposta heterogêneos, indicando que benefícios clínicos podem ocorrer independentemente de métricas padronizadas. Conclui-se que a musicoterapia é uma estratégia complementar relevante na saúde mental de pessoas idosas institucionalizadas, promovendo a reorganização de fragmentos biográficos e o senso de pertencimento. O estudo evidencia a relevância de análises clínicas individualizadas em contextos de alta complexidade funcional.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

Almeida, O. P., & Almeida, S. A. (1999). Confiabilidade da versão brasileira da Escala de Depressão em Geriatria (GDS) versão reduzida. Arquivos de Neuro-Psiquiatria, 57(2B), 421–426. https://doi.org/10.1590/S0004-282X-1999000300013

American Psychiatric Association. (2013). Diagnostic and statistical manual of mental disorders (5th ed.). American Psychiatric Publishing.

Ansdell, G. (2014). How music helps in music therapy and everyday life. Routledge.

Arruda, M. L. (2022). Funções cognitivas de pessoas idosas: Construção e validação de um instrumento de avaliação cognitiva em musicoterapia (ACPIM) [Tese de Doutorado, Universidade Federal do Paraná]. Acervo Digital UFPR. https://acervodigital.ufpr.br/xmlui/bitstream/handle/1884/-80849/R%20-%20T%20-%20MARIANA%20LACERDA%20ARRUDA.pdf

Baker, F. A., Lee, Y. C., Sousa, T. V., Stretton-Smith, P. A., Tamplin, J., Sveinsdottir, V., Geretsegger, M., Wake, J. D., Assmus, J., & Gold, C. (2022). Clinical effectiveness of music interventions for dementia and depression in elderly care (MIDDEL): Australian cohort of an international pragmatic cluster-randomised controlled trial. The Lancet Healthy Longevity, 3(3), e153–e165. https://doi.org/10.1016/S2666-7568(22)00027-7

Bonde, L. O., Stensæth, K., & Ruud, E. (2023). Music and health: A compre-hensive model. https://www.aaudxp-cms.aau.dk/media/fwmnuadw-/music-and-health-2023-final.pdf

Bruscia, K. (2016). Definindo musicoterapia. Enelivros.

Eickholt, J., Geretsegger, M., & Gold, C. (2018). Perspectives on research and clinical practice in music therapy for older people with depression. In A. Zubala & V. Karkou (Eds.), Arts therapies in the treatment of depression. Routledge.

Cunha, R. (2016). Musicoterapia Social e Comunitária: uma Organização Crítica de Conceitos. Brazilian Journal of Music Therapy, (21). https://doi.org/10.-51914/brjmt.21.2016.68

Gil, A. (2002). Como elaborar projetos de pesquisa (4th ed.). Atlas.

Gonçalves Pedrosa, F., Lacerda Arruda, M., & da Silva Júnior, J. D. (2025). Impactos da Musicoterapia em um Serviço Residencial Terapêutico: Estudo Exploratório de Métodos Mistos. Música Hodie, 25. https://doi.org/-10.5216/mh.v25.82941

Gomes, I., & Britto, V. (2023, 27 de outubro). Censo 2022: Número de pessoas com 65 anos ou mais de idade cresceu 57,4% em 12 anos. Agência de Notícias IBGE. https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/38186-censo-2022-numero-de-pessoas-com-65-anos-ou-mais-de-idade-cresceu-57-4-em-12-anos

Hallam, S., & Himonides, E. (2022). The power of music: An exploration of the evidence. Open Book Publishers.

Istvandity, L. (2017). Combining music and reminiscence therapy for wellbeing in older adults: A review. Arts & Health, 9(2), 123–138. https://doi.org/10.1080-/17533015.2016.1233400

Jacobsen, J. H., Stelzer, J., Fritz, T. H., Chetouani, M., Turner, R., & Kell, C. A. (2015). Why musical memory can be preserved in advanced Alzheimer’s disease. Brain, 138(8), 2438–2450. https://doi.org/10.1093/brain/awv135

McDermott, O., Orrell, M., & Ridder, H. M. (2014). The importance of music for people with dementia: The perspectives of people with dementia, family carers, staff and music therapists. Aging & Mental Health, 18(6), 706–716. https://doi.org/10.1080/13607863.2013.875124

Organização Pan-Americana de Saúde. (2023). Perspectivas demográficas do envelhecimento populacional na Região das Américas. OPAS/UM. https://iris.paho.org/bitstream/handle/10665.2/58954/9789275726792_por.pdf

Pambudi, H. A., Dewi, C. C., & Anggraeni, H. (2020). The effects of water sound music therapy with brainwave to the decrease of depression levels in elderly in the House of Social Care for Elderly Wening Wardoyo Ungaran: Pengaruh terapi musik suara air mengalir dengan brainwave terhadap penurunan tingkat depresi pada lansia di Rumah Pelayanan Sosial Lanjut Usia Wening Wardoyo Ungaran. Bali Medika Jurnal, 7(1), 125–137. https://doi.org/10.36376/bmj.v7i1.122

Pedrosa, F. G., & Mazoni, G. (2026, 27 de junho). Musicoterapia e Sintomas Depressivos em Idosos Institucionalizados. https://osf.io/hw9m8/

R Core Team. (2025). R: A language and environment for statistical computing. R Foundation for Statistical Computing.

Raufuddin, R. (2021). The Difference of Despression Level Before and After Keroncong Music Therapy in the Elderly. Fundamental and Management Nursing Journal, 4(2), 46–49. https://doi.org/10.20473/fmnj.v4i2.22372

Ruud, E. (2008). Music in therapy: Increasing possibilities for action. Music and Arts in Action, 1(1).

Ruud, E. (2017). Music, identity, and health. In R. MacDonald, D. J. Hargreaves, & D. Miell (Eds.), Handbook of musical identities. Oxford Academic.

Ruud, E. (2020). Toward a sociology of music therapy: Musicking as a cultural immunogen. Barcelona Publishers.

Saarikallio, S., Stensaeth, K., Horwitz, E. B., Ekholm, O., & Bonde, L. O. (2020). Music as a resource for psychological health for music professionals: A Nordic survey. Nordic Journal of Arts, Culture and Health, 2(1), 38–50. https://doi.org/10.18261/issn.2535-7913-2020-01-04

Schwartzman, S. (1995). Resenha de “A política dos grandes números”. IBGE. https://archive.org/details/PoliticaDosGrandesNumeros

Smeijsters, H. (2012). Analogy and metaphor in music therapy: Theory and practice. Nordic Journal of Music Therapy, 21(3), 227–249. https://doi.org/10.1080/08098131.2011.649299

Stige, B. (2016). Music and health in community. In B. Stige, G. Ansdell, C. Elefant, & M. Pavlicevic (Eds.), Where music helps: Community music therapy in action and reflection, p. 03–16. Routledge.

Thaut, M. H., Francisco, G., & Hoemberg, V. (2021) Editorial: The Clinical Neuroscience of Music: Evidence Based Approaches and Neurologic Music Therapy. Frontiers in Neuroscience, 15, Article 740329. https://doi.org/10.3389/fnins.2021.740329

Thaut, M. H. (2005). Rhythm, music, and the brain: Scientific foundations and clinical applications. Routledge.

van der Steen, J. T., van der Wouden, J. C., Methley, A. M., Smaling, H. J. A., Vink, A. C., & Bruinsma, M. S. (2025). Music-based therapeutic interventions for people with dementia. Cochrane Database of Systematic Reviews, (3). https://doi.org/10.1002/14651858.CD003477.pub5

World Health Organization. (2018, 1º de outubro). Ageing and health. https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/ageing-and-health

Downloads

Publicado

2026-08-05

Como Citar

Campos Mazoni, G., & Gonçalves Pedrosa, F. (2026). “Aquela Colcha de Retalhos que tu fizeste’’: Musicoterapia e sintomas depressivos em idosos institucionalizados. Revista InCantare, 23, 1–22. https://doi.org/10.33871/2317417X.2026.23.12051

Edição

Seção

Artigos