A voz, o canto e as subjetividades no documentário “As Canções” de Eduardo Coutinho: uma análise sob o olhar da musicoterapia
DOI:
https://doi.org/10.33871/2317417X.2026.23.11751Palabras clave:
Musicoterapia, Voz, Canto, Subjetividade, DocumentárioResumen
O presente artigo analisa o documentário As Canções (2011), de Eduardo Coutinho, a partir das relações entre voz, canto e processos de subjetivação, estabelecendo diálogo com fundamentos teóricos da musicoterapia. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de caráter interpretativo, que utiliza o documentário como fonte audiovisual para análise, compreendendo-o como um espaço de escuta e elaboração de narrativas de vida mediadas pela música. O referencial teórico articula estudos sobre linguagem documental, experiência e saber de experiência, além de contribuições da musicoterapia voltadas à voz, ao canto e à música como forma de expressão subjetiva. A análise concentra-se em personagens selecionados do filme, observando como as canções escolhidas operam como mediadoras de memórias, afetos e identidades, possibilitando a expressão de vivências que, muitas vezes, extrapolam a linguagem verbal. Os resultados indicam que o canto assume diferentes funções expressivas, como resgate de experiências passadas, comunicação de afetos e elaboração simbólica de perdas e relações significativas. As escolhas estéticas do documentário, marcadas pela economia visual e pela escuta atenta do diretor, favorecem o protagonismo dos participantes e potencializam a emergência das subjetividades. Conclui-se que As Canções evidencia a potência da música e da voz como dispositivos de construção narrativa e subjetiva, ampliando o diálogo entre cinema documental, experiência estética e musicoterapia.
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