Substituição instrumental e difusão do repertório: um relato sobre “Directionlessness” (2020/2022), de Luís Bittencourt

Autores

  • Fernando Martins de Castro Chaib Universidade Federal de Minas Gerais, Escola de Música, PPGMUS | Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil https://orcid.org/0000-0001-9606-6335
  • Luis Bittencourt Instituto Politécnico de Castelo Branco | Castelo Branco, Portugal / Universidade de Coimbra | Coimbra, Portugal https://orcid.org/0000-0001-6141-1792

DOI:

https://doi.org/10.33871/vortex.2026.14.11015

Palavras-chave:

Substituição instrumental, Performance, Percussão, Inovação, Difusão

Resumo

Eclética, a instrumentação de obras escritas para percussão muitas vezes restringe a sua difusão pelas dificuldades em se conseguir instrumentos específicos. Aspectos culturais, orçamentários e/ou logísticos acabam por limitar a disseminação do repertório, restringindo a fruição pública de algumas práticas musicais. Cabe ao percussionista buscar soluções criativas para suprir/substituir certos materiais, sendo capaz de levar a cabo a performance de obras outrora 'inatingíveis' pelas exigências instrumentais, ampliando o impacto do seu fazer musical através da disseminação, comunicação e potencial criativo das obras e da sua performance. Selecionamos Directionlessness (2020/2022), de Luís Bittencourt (1981-), como estudo de caso para demonstrar possibilidades de substituição instrumental. Apoiados em autores como Gianesella, Schick, La Frave, Reed, Stene, Fernando e Santos, sugerimos a substituição das peças de vidro, comparando-as sonoramente, além de refletir sobre a viabilidade musical e performativa da proposta de substituição.

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Biografia do Autor

Fernando Martins de Castro Chaib, Universidade Federal de Minas Gerais, Escola de Música, PPGMUS | Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil

Fernando Martins de Castro Chaib (www.fernandochaib.com) é músico percussionista, diretor musical e arranjador. É professor nos cursos de Graduação e Pós-Graduação da Escola de Música da Universidade Federal de Minas Gerais. Premiado internacionalmente, realiza estreias e primeiras audições no Brasil, EUA, continentes sul-americano, europeu e asiático em performances a solo, com música de câmara, artes integradas e agrupamentos sinfônicos. Eclético, sua discografia compreende mais de 12 álbuns. É fundador e membro do ¿Silencie? Coletivo Percussivo. Em Portugal fundou o Simantra Grupo de Percussão. É Doutor e Mestre, com Pós-Doutorado ralizado na Universidade de Aveiro (Portugal). No âmbito acadêmico possui pesquisas e projetos em percussão que lhe renderam prêmios, patentes e artigos publicados no Brasil e exterior. Desde 2021 é Editor-chefe da Per Musi Revista Acadêmica de Música.

Luis Bittencourt, Instituto Politécnico de Castelo Branco | Castelo Branco, Portugal / Universidade de Coimbra | Coimbra, Portugal

Luís Bittencourt (www.luisbittencourt.com) é percussionista, compositor, improvisador, produtor, investigador (PhD) e comunicador de ciência. Atua como professor no Mestrado em Computação Musical da Universidade de Coimbra (UC), na Escola Superior de Artes Aplicadas do Instituto Politécnico de Castelo Branco (ESART-IPCB), na Escola Superior Artística do Porto (ESAP) e na Universidad Internacional de La Rioja (UNIRIOJA). Doutorado pela Universidade de Aveiro (UA) e bacharel pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), tem obras premiadas e encomendadas por instituições como Guildhall School of Music and Drama e Cannes Lions. Colaborou com artistas como Lee Ranaldo, Phill Niblock, David Cossin, Jon Rose e Found Sound Nation. Sua investigação sobre criatividade experimental, instrumentalidade e objetos sonoros foi reconhecida internacionalmente e apresentada em eventos como EPARM, PSN e Darmstadt. Atua nos conselhos editoriais da Shima e Per Musi e revisa para revistas e congressos em arte e música.

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Publicado

25.05.2026

Como Citar

Martins de Castro Chaib, F., & Teixeira Bittencourt, L. A. (2026). Substituição instrumental e difusão do repertório: um relato sobre “Directionlessness” (2020/2022), de Luís Bittencourt. Revista Vórtex, 14, 1–42. https://doi.org/10.33871/vortex.2026.14.11015

Edição

Seção

Artigo original