O ambiente facilitador em O Pequeno Príncipe: um diálogo entre literatura, cinema e psicanálise
DOI:
https://doi.org/10.33871/22386084.2026.16.11569Palavras-chave:
Psicanálise, Cinema, Literatura, Desenvolvimento humanoResumo
O cinema dialoga com a psicanálise e torna esse saber mais acessível por meio de interpretações que articulam diferentes aspectos da expressão artística. Este estudo teórico tem como objetivo analisar de que modo o ambiente pode atuar como facilitador na transformação do falso self em verdadeiro self, com base nos conceitos do psicanalista Donald Winnicott, destacando a importância dos vínculos e de um ambiente suficientemente bom para o desenvolvimento emocional. O corpus analítico foi composto pelo filme O Pequeno Príncipe (2015), dirigido por Mark Osborne. Na película, a protagonista mantém uma relação submissa com a mãe, atravessada pela rigidez de regras e pela busca obstinada por aprovação por meio dos estudos, em uma expressão típica de um falso self. Ao conhecer o aviador, o verdadeiro self da menina começa a dar sinais de existência, encantando-se por cores, sons e parecendo sentir-se contagiada por tanta vida. Assim, o vínculo com o aviador permite a emergência da criatividade e a abertura para uma experiência mais genuína. O papel do aviador pode ser comparado com a função do analista de apresentar um novo ambiente capaz de sustentar as demandas trazidas sem impor suas necessidades, aceitando e sobrevivendo às curiosidades, aos questionamentos, os atos de amor e também de agressividade que surgem na relação. Tais experiências mostram-se essenciais para o amadurecimento emocional da protagonista.
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