“O bebê não entende”: reflexões sobre o discurso pedagógico na creche

Autores

DOI:

https://doi.org/10.33871/22386084.2026.16.11095

Palavras-chave:

bebês, creche, professores, rotina

Resumo

Este estudo tem como objetivo entrelaçar relatos de experiências vividas com bebês em creches, o discurso pedagógico de profissionais da Educação Infantil e pesquisas contemporâneas sobre os saberes do bebê. A partir da recorrente afirmação de que o bebê “não entende”, amplamente presente entre profissionais de creche, estudantes de Pedagogia e pessoas de seu entorno, busca-se problematizar em que medida tal concepção revela lacunas na formação docente e fragilidades no discurso pedagógico vigente. Com isso, investiga-se como a negação dos saberes do bebê incide sobre as práticas educativas e sobre o modo como se constitui a relação entre adulto e bebê no cotidiano das creches. A pesquisa se fundamenta na análise de experiências vivenciadas em instituições de Educação Infantil, articuladas ao diálogo com estudos recentes que evidenciam o bebê como sujeito de linguagem, sob a perspectiva que reconhece a importância da escuta, do acolhimento e das interações na constituição psíquica e social. O trabalho se estrutura a partir de aspectos do cotidiano da creche, como alimentação, sono, trocas e brincadeiras, compreendidos como espaços potentes de comunicação, escuta e reconhecimento de subjetividade. Ao longo do artigo, entrelaçam-se observações registradas no diário de campo de uma das autoras, evidenciando encontros e desencontros na relação entre professora e bebê. Tais situações são analisadas sem julgamentos ou culpabilizações, à luz da noção da linguagem multimodal. Busca-se compreender como o espaço crecheiro pode favorecer a escuta e o reconhecimento da singularidade do bebê ou, ao contrário, reproduzir práticas normativas que silenciam modos próprios de expressão.

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Biografia do Autor

Maria Clara dos Anjos Teodosio Tomé, Universidade de Uberaba (UNIUBE)

Graduanda de Psicologia na Universidade de Uberaba (UNIUBE). Especializada em Psicologia da Educação (UNIUBE). Foi Estagiária voluntária do Instituto Langage (Instituto de Psicanálise Lacaniana). Foi Ligante no Programa de Extensão Universitária Liga Acadêmica de Psicanálise da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (2022-2023). Tem experiência na área de psicanálise, desenvolvendo pesquisas sobre os bebês no viés psicanalítico.

Cleide Vitor Mussini Batista, Universidade Estadual de Londrina (UEL)

Pós-doutorado em Psicologia - Universidade de São Paulo (USP), São Paulo/Brasil e Psicanálise - Universidade Federal da Paraíba (UFPB), João Pessoa/Paraíba. Diploma Universitário DU- Le Psychique face a la Naissance pela Université Paris Cité/Paris/França.  Professor associado do Departamento de Educação - Universidade Estadual de Londrina (UEL), Londrina/Paraná/Brasil.

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Publicado

2026-02-06

Como Citar

TOMÉ, Maria Clara dos Anjos Teodosio; BATISTA, Cleide Vitor Mussini. “O bebê não entende”: reflexões sobre o discurso pedagógico na creche. Revista Educação e Linguagens, [S. l.], v. 16, 2026. DOI: 10.33871/22386084.2026.16.11095. Disponível em: https://periodicos.unespar.edu.br/revistaeduclings/article/view/11095. Acesso em: 7 fev. 2026.

Edição

Seção

Dossiê: O que o bebê tem a nos ensinar?