O bebê que conhecemos hoje: uma oficina como espaço de atualização dos conhecimentos

Autores

DOI:

https://doi.org/10.33871/22386084.2026.16.11093

Palavras-chave:

constituição psíquica, bebê, interação social, oficina de capacitação

Resumo

Este estudo analisa três encontros da oficina O bebê que conhecemos hoje, dispositivo formativo criado pelas autoras para divulgar pesquisas contemporâneas que reconhecem o bebê como sujeito ativo e interlocutor desde os primeiros dias de vida, em contraste com concepções clássicas que o consideravam mero receptor. Os conteúdos abordaram distinções entre crescimento, desenvolvimento e constituição psíquica, além de evidências sobre competências precoces, como imitação neonatal, reconhecimento do próprio nome e sensibilidade ao olhar e à voz. As oficinas ocorreram presencialmente em três cidades brasileiras, com duração de duas horas cada, reunindo 32 participantes: famílias gestantes (14) e pretendentes à adoção vinculados ao Sistema Nacional de Adoção (18). A metodologia combinou exposições orais, vídeos, rodas de conversa e aplicação de questionários on-line antes e após os encontros, visando identificar mudanças na percepção dos participantes sobre as capacidades comunicativas e a constituição psíquica do bebê. Os resultados indicaram ampliação significativa do repertório conceitual, com deslocamento de concepções centradas no choro para uma compreensão multimodal da linguagem, valorizando gestos, movimentos corporais, olhares e vocalizações como formas legítimas de comunicação. Conclui-se que a oficina promoveu transformações nos saberes e práticas dos participantes, fortalecendo abordagens preventivas, éticas e respeitosas ao sofrimento psíquico na primeira infância, além de reafirmar o bebê como protagonista de sua constituição subjetiva. A experiência mostrou-se replicável em diferentes contextos, reforçando a relevância de ações formativas baseadas em evidências científicas para qualificação do cuidado e promoção da escuta respeitosa ao bebê.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Carolina Gonzaga Sanches Jorquera, Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)

Psicóloga Clínica e Psicóloga Perita do TJSP, Mestre em Psicologia Clínica pela PUC-SP, Especialista em Terapia Familiar pelo Instituto Familiae, Especialista em Estimulação Precoce: Clínica Transdisciplinar do Bebê pelo Instituto Travessias da Infância.

Monica Campos de Oliveira, Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)

Psicóloga, psicanalista, mestranda em educação pela Universidade Federal de Juiz de Fora. Especialista em Estimulação Precoce: Clínica Transdisciplinar do Bebê pelo Instituto Travessias da Infância.

Ana Clébia de Araújo Araújo, Universidade Federal do Tocantins (UFT)

Mestre, Universidade Federal do Tocantins (UFT), Palmas, Tocantins, Brasil. Psicóloga no Le Maternage, Palmas, Tocantins, Brasil.

Referências

ARIÈS, Philipe. História social da criança e da família. 2. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1981.

BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 5 de outubro de 1988. Brasília: Presidência da República, 1988. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em: 14 jan. 2026.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Políticas de Saúde. Departamento de Atenção Básica. Saúde da criança: acompanhamento do crescimento e desenvolvimento infantil. Brasília: Ministério da Saúde, 2002. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/crescimento_desenvolvimento.pdf. Acesso em 12 de maio de 2023.

BRASIL. Lei nº 13.438, de 26 de abril de 2017. Dispõe sobre alterações no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e dá outras providências. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2017/lei/l13438.htm. Acesso em: 12 de maio de 2023.

BRASIL. Lei nº 15.240, de 28 de outubro de 2025. Altera a Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente), para caracterizar o abandono afetivo como ilícito civil. Diário Oficial da União: Poder Executivo, Brasília, DF, 29 out. 2025. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2025/lei/L15240.htm. Acesso em: 12 jan. 2026.

COSTA, Teresinha. Psicanálise com crianças. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2010.

GRATIER, Maya; DEVOUCHE, Emmanuel; GUELLAI, Bahia; INFANTI, Rubia; YILMAZ, Ebru; PARLATO-OLIVEIRA, Erika. Early development of turn-taking in vocal interaction between mothers and infants. Frontiers in Psychology, [S. l.], v. 6, n. 1167, p. 1–10, set. 2015. DOI: https://doi.org/10.3389/fpsyg.2015.01167

GUELLAÏ, Bahia; HAUSBERGER, Martine.; CHOPIN, Adrien; STRERI, Arlette. Premises of social cognition: Newborns are sensitive to a direct versus a faraway gaze. Sci Rep. Jun 17;10(1):9796. doi: 10.1038/s41598-020-66576-8.

MACHADO, Nathália. P.; CRUZ, Luciana. F. da; SEABRA, Aline. G.; MACEDO, Elizeu. C. Investigação do reconhecimento do nome próprio em bebês de 4 a 5 meses: um estudo piloto. Rev. CEFAC. Set-Out; 15(5):1080-1087, 2013.

NAGY, Emese.; PILLING, Karen.; BLAKE, Victoria.; ORVOS, Hajnalka. Positive evidence for neonatal imitation: A general response, adaptive engagement. Dev Sci. 2020 Mar;23(2): e12894. doi: 10.1111/desc.12894.

PARLATO-OLIVEIRA, Erika. Saberes do bebê. 1.ed. Instituto Langage, 2019.

PARLATO-OLIVEIRA, Erika. Quem é o bebê do século XXI? Pesquisas recentes. Comunicação Oral em Evento. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=ap4hn8JN0FI. Recuperado em 30/05/2022.

PARLATO-OLIVEIRA, Erika. O bebê e as tramas da linguagem. 1.ed. Instituto Langage, 2022.

SAUSSURE, Ferdinand. Curso de linguística Geral. São Paulo: Cultrix, 2012.

SILVA, Maria Fernanda A.; RECHIA, Inaê C.; NUNES, Sabrina F.; SOUZA, Ana Paula R. Desenvolvimento cognitivo, linguístico e histórico de risco psíquico em crianças de 2 anos. Saúde e Pesquisa. V. 11, n. 2, p. 223-229, 2018.

SPITZ, René A. O primeiro ano de vida: um estudo psicanalítico do desenvolvimento normal e anômalo das relações objetais. São Paulo: Martins Fontes, 1996.

TREVARTHEN, Colwyn; AITKEN, Kenneth . J; GRATIER, Maya. O bebê nosso professor. São Paulo: Instituto Langage, 2019.

VANNASING, Phetsamone; FLOREA, Olívia; GONZÁLEZ-FRANKENBERGER, Berta; TREMBLAY, Julie; PAQUETTE, Natacha, SAFI, Dima, WALLOIS Fabrice, LEPORE, Franco/ BÉLAND, Renée, LASSONDE, Maryse, GAALLAGHER, ANNE.Distinct hemispheric specializations for native and non native languages in one day old newborns identified by fNIRS. Neuropsychologia, v. 84, p. 63-69, 2016. doi:10.1016/j.neuropsychologia.2016.01.038.

Publicado

2026-02-06

Como Citar

JORQUERA, Carolina Gonzaga Sanches; OLIVEIRA, Monica Campos de; ARAÚJO, Ana Clébia de Araújo. O bebê que conhecemos hoje: uma oficina como espaço de atualização dos conhecimentos. Revista Educação e Linguagens, [S. l.], v. 16, 2026. DOI: 10.33871/22386084.2026.16.11093. Disponível em: https://periodicos.unespar.edu.br/revistaeduclings/article/view/11093. Acesso em: 7 fev. 2026.

Edição

Seção

Dossiê: O que o bebê tem a nos ensinar?