Oficina de brincar com bebês: corpo e linguagem
DOI:
https://doi.org/10.33871/22386084.2026.16.11039Palavras-chave:
bebê, brincar, corporeidade, desenvolvimentoResumo
Este artigo tem como objetivo analisar a corporeidade do bebê como território sensível e experiencial, a partir da vivência da oficina de brincar com bebês. Fundamentado em autores como Piaget, Bullinger, Parlato-Oliveira e Merleau-Ponty, o estudo discute o corpo como base da percepção, da ação e da construção de saberes. Por meio da abordagem qualitativa e da natureza exploratória, a oficina promoveu o brincar livre como meio de exploração sensorial, motora e relacional, permitindo que os bebês se apropriassem do ambiente e interagissem com diferentes materiais e objetos. Participaram oito bebês, com idades entre três meses e um ano e seis meses, acompanhados de seus cuidadores, em quatro encontros quinzenais. A produção de dados ocorreu a partir de registros em diários de campo, posteriormente analisados conforme os procedimentos da análise de conteúdo de Bardin. Os resultados revelaram três categorias centrais: corporeidade como expressão de subjetividade; olhar como gesto intencional e antecipatório; e ambiente como mediador de vínculos e descobertas. Essas categorias evidenciam que o brincar livre permite ao bebê expressar sentidos, emoções e saberes, articulando corpo, percepção e interação. O estudo destaca, ainda, a importância de ambientes planejados, intencionais e potencializadores, capazes de favorecer descobertas, relações afetivas e desenvolvimento integral.
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