A linguagem como forma de interação e seus reflexos nas aulas de Língua Portuguesa: reflexões a partir do estágio curricular supervisionado
DOI:
https://doi.org/10.33871/22386084.2025.15.9873Palavras-chave:
estágio, concepção de linguagem, gêneros do discurso, interação verbalResumo
Este artigo versa sobre a linguagem como forma de interação e analisa os reflexos de seu uso nas aulas de Língua Portuguesa. O objetivo do texto é problematizar as concepções de língua e linguagem adotadas em sala de aula, a partir das vivências no campo de estágio, bem como discorrer a respeito do ensino de Língua Portuguesa em uma perspectiva interacionista, com base nos gêneros discursivos. A metodologia que sustenta este artigo está pautada no compartilhamento de experiências, na observação dos participantes do campo de estágio in loco e registro em diário de campo. Por meio da observação de turmas de oitavo ano do ensino fundamental, foram elaborados planos de aulas para trabalhar o objeto do conhecimento figuras de linguagem, na regência, com os estudantes, resultando em um acervo de experiências que servem de base para reflexões neste texto. As análises indicam que a reflexão sobre ‘para quê’ se ensina e ‘como’ se ensina, inevitavelmente, perpassam pela concepção de linguagem que o professor adota em sala de aula, visto que isso influencia no trabalho com a língua em termos de ensino. Além disso, observou-se que as práticas de ensino e aprendizagem da língua podem ser desvinculadas dos padrões tradicionais de ensino, por meio de uma concepção pedagógica que adote a linguagem como forma de interação. Por fim, as atividades proporcionaram uma participação ativa, reflexiva e construtiva dos alunos sobre as possibilidades de uso da língua.
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