Mapa mental e alfabetização na perspectiva da Didática Crítica Decolonial
Conteúdo do artigo principal
Resumo
Discute-se a alfabetização como responsabilidade formativa da Didática Crítica, abordando o mapa mental como linguagem visual e estratégia de ensino na Educação Básica. A investigação se realizou em uma escola pública de Florianópolis/SC. Analisaram-se 42 produções textuais de estudantes em processo de apropriação da escrita, sendo 19 do primeiro e 23 do terceiro anos do Ensino Fundamental. Objetivou-se compreender a internalização desse gênero textual pelas crianças, diferenciando-o do mapa conceitual, cuja confusão é recorrente entre docentes e discentes. A análise considerou o contexto pedagógico de mediação e leitura, ancorado em práticas intencionais orientadas pelas professoras participantes. Do ponto de vista teórico e metodológico, o estudo fundamentou-se na Didática Crítica Decolonial, com base em Freire (1996), Bazzo (2019, 2021, 2024, 2025) e Candau (2012, 2016), e em uma concepção dialógica de alfabetização como prática social de linguagem, autoria e formação, conforme elaborada por Soares (2015, 2016, 2017, 2020), Kleiman (1995) e Mortatti (2004, 2019). Os resultados indicam que, quando inserido em situações dialógicas de aprendizagem, o mapa mental favorece a organização do pensamento, a atribuição de sentidos, o desenvolvimento da autoria, o posicionamento crítico e a ampliação das práticas de leitura e escrita. Conclui-se que seu uso intencional contribui para uma formação leitora e escritora mais criativa, crítica e integrada à construção do conhecimento pelos sujeitos.
Downloads
Detalhes do artigo

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Os autores mantêm os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação sob a licença Creative Commons Attribution (CC BY).
Referências
ANDRADE, Rogério Barbosa. S. O. S. Tartarugas Marinhas. Ilustração: Roger Mello. São Paulo: Melhoramentos, 2011.
BAKHTIN, Mikhail. Estética da criação verbal. São Paulo: Martins Fontes, 2003 [1979].
BAZZO, Jilvania Lima dos Santos. A oralidade na formação linguística do professor alfabetizador. Revista Perspectiva, Florianópolis, v. 33, n. 1, 55-75, jan./abr. 2015. (http://www.perspectiva.ufsc.br) [http://dx.doi.org/10.5007/2175-795X.2015v33n1p55].
BAZZO, Jilvania Lima dos Santos. Literatura e infância: fruição ou pretexto? In: DEBUS, E.; JULIANO, D.; BORTOLOTTO, N. (Orgs.) Literatura Infantil e Juvenil: do literário a outras manifestações estéticas. Tubarão: Copiart, 2016, p. 109-122.
BAZZO, Jilvania Lima dos Santos. Encontro com poetas: (como) ler poesia na sala de aula. In: DEBUS, E. BAZZO, J. L. S.; BORTOLOTTO, N. (Orgs.) Poesia (cabe) na escola. Campina Grande (PB): EDUFCG, 2018, p. 131-148.
BAZZO, Jilvania Lima dos Santos. Por uma poética decolonial no ensino superior: contribuições da Didática na formação de professores(as). Revista Pedagógica, Chapecó, v. 21, p. 115-130, 2019.
BAZZO, Jilvania Lima dos Santos. Contribuições de Paulo Freire para o ensino da leitura e escrita: dimensão linguística. Revista Docência e Cibercultura, [S. l.], v. 5, n. 3, p. 191–206, 2021. DOI: 10.12957/redoc.2021.60147. Disponível em: https://www.e-publicacoes.uerj.br/re-doc/article/view/60147. Acesso em: 1 mar. 2025.
BAZZO, Jilvania Lima dos Santos. A natureza criativa da didática decolonial poético-estética. In: URIBE, Alvaro Adriazola et al. (Orgs.). Natureza da criatividade: cartografia de processos criativos. volume 3. Salvador, BA: Quarteto Editora, 2024, p. 325-342.
BAZZO, Jilvania Lima dos Santos. Didática Crítica Decolonial Estético-Poética: Ciência do Ensino Próprio e Apropriado. In: GALEFFI, Dante Augusto Galeffi; VIEIRA, Marcos Antonio; CAMPOS, Maria de Fátima Hanaque. (Orgs.). Natureza da criatividade: cartografia de processos criativos. volume 4. Salvador, BA: Quarteto Editora, 2025, p. 45-68.
BAZZO, Jilvania Lima dos Santos; CHAGAS, Lilane de Maria de Moura. Formação estética e poética do professor alfabetizador no Pnaic em SC: alguns apontamentos. In: SILVEIRA, E.; BAZZO, J. S. L.; CHAGAS, L. M. M.; AGUIAR, M. A. L.; PEDRALLI, R. (Orgs.). Alfabetização na perspectiva do letramento: Letras e números nas práticas sociais. Florianópolis: UFSC/CED/NUP, 2016, p. 44-66.
BAZZO, Jilvania Lima dos Santos; CHAGAS, Lilane Maria de Moura; MARTINS FILHO, Lourival José. A leitura literária e o sistema de escrita alfabético no Pnaic/SC: aproximações possíveis. Revista Brasileira de Alfabetização - ABAlf | ISSN: 2446-8576 / e-ISSN: 2446-8584. Vitória, ES | v. 1 | n. 3 | p. 40-54 | jan./jul. 2016
CANDAU, Vera Maria. Diferenças culturais, interculturalidade e educação em direitos humanos. Educação & Sociedade, Rio de Janeiro, v. 33, n. 118, p. 235 250, 2012.
CANDAU, Vera Maria. Cotidiano escolar e práticas interculturais. Cadernos de Pesquisa, São Paulo, v. 46, n. 161, p. 802–820, 2016.
COSTA, Berenice Queiroz. Imagens de livros de literatura infantil: narrativas visuais como estruturantes na formação de professores. 2025. 120 f. Dissertação (Mestrado em Educação) – Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2025.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: Saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.
KLEIMAN, Angela. (Org.) Os significados do letramento: Uma nova perspectiva sobre a prática social da escrita. Campinas, SP: Mercado de Letras, 1995.
KRAMER, Sonia. Autoria e autorização: questões éticas na pesquisa com crianças. Cadernos de Pesquisa, São Paulo, n. 116, p. 41-59, jul. 2002.
KRAMER, Sonia. Des/acertos, silêncios e conflitos éticos: o que você faz com os resultados da sua pesquisa? In: KRAMER, Sonia et al (Orgs.). Ética: pesquisa e práticas com crianças na Educação Infantil. Campinas: Papirus, 2019, p. 235-254.
MORTATTI, Maria do Rosário Longo. Educação e letramento. São Paulo: Unesp, 2004.
MORTATTI, Maria do Rosário Longo. Métodos de alfabetização no Brasil: Uma história concisa. São Paulo: Editora da Unesp Digital, 2019.
PARR, Todd. O livro dos sentimentos. São Paulo: Panda Books, 2011.
PENTEADO, Cláudio; PELLEGRINI, Jerônimo; SILVEIRA, Sérgio Amadeu. (Orgs.). Plataformização, inteligência artificial e soberania de dados: tecnologia no Brasil 2020-2030. São Paulo: Ação Educativa, 2023.
SCHNEUWLY, Bernard; DOLZ, Joaquim e colaboradores. Gêneros orais e escritos na escola. Tradução Roxane Roxo e Glaís S. Cordeiro. Campinas/SP: Mercado das Letras, 2004, p. 98.
SOARES, Magda. Alfabetização e letramento. São Paulo: Contexto, 2015.
SOARES, Magda. Alfabetização: A questão dos métodos. São Paulo: Contexto, 2016.
SOARES, Magda. Linguagem e escola: uma perspectiva social. São Paulo: Contexto, 2017.
SOARES, Magda. Alfaletrar: Toda criança pode aprender a ler e a escrever. São Paulo: Contexto, 2020.
SOUZA, Nadia Aparecida; BORUCHOVITCH, Evely. Mapas conceituais: Estratégia de ensino/aprendizagem e ferramenta avaliativa. Educação em Revista, Belo Horizonte, v. 26, n. 3, p. 191–208, dez. 2010. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0102-46982010000300010. Acesso em: 11 jul. 2025.
TAVARES, Luis Antonio; MEIRA, Matheus Carvalho.; AMARAL, Sergio Ferreira. Mapa mental interativo: A concepção de uma mídia rica para a aprendizagem. Revista de Educação, Ciência e Cultura, Canoas, v. 26, n. 1, p. 1–16, 2021. Disponível em: http://dx.doi.org/10.18316/recc.v26i1.6645. Acesso em: 25 jul. 2025.