Artigo: CORPOS INSURGENTES
Estratégias artísticas de resistência frente ao conservadorismo e ao capitalismo informacional
DOI:
https://doi.org/10.33871/sensorium.2026.13.11174Palavras-chave:
escultura, género, estética da resistência, envelhecimento femininol, capitalismo informacionalResumo
Este artigo investiga de que forma a arte pode operar como estratégia de resistência simbólica frente ao avanço do conservadorismo, da ultradireita e do capitalismo informacional, com foco na representação do corpo feminino envelhecido. O problema central da pesquisa parte da pergunta: é possível ressignificar o envelhecimento como potência estética e política, desafiando a norma da juventude compulsória? A metodologia é qualitativa e combinada com análise crítica de obras de artistas que tensionam as convenções da beleza, do corpo e da feminilidade, como Louise Bourgeois, Kiki Smith, Sarah Lucas e ORLAN, articulando conceitos de autoras e autores como Susan Sontag, Simone de Beauvoir, Susan Bordo, Judith Butler, Margaret Gullette, Byung-Chul Han, Umberto Eco e Gilles Deleuze. A pesquisa inclui ainda um componente prático baseado em metodologia de investigação artística (art-based research), no qual se desenvolve uma proposta autoral composta por escultura e performance. Os resultados indicam que práticas artísticas que incorporam o grotesco, o abjeto, o humor e a vulnerabilidade são capazes de romper com os regimes normativos do corpo, propondo novas formas de visibilidade e subjetivação para corpos dissidentes. A conclusão aponta que, ao trabalhar com a matéria da velhice e da imperfeição, a arte cria fissuras na lógica da positividade neoliberal e ressignifica o corpo envelhecido como linguagem crítica. A contribuição principal deste trabalho está em articular teoria e prática para pensar a arte como campo de disputa simbólica e política, propondo uma abordagem que reposiciona o envelhecimento não como falha, mas como ato de insurgência visual e sensível diante dos dispositivos contemporâneos de exclusão.
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