“A área de exatas não é pra mulher”
estereótipos de gênero nas trajetórias de pós-graduandas em Educação Matemática
DOI:
https://doi.org/10.33871/rpem.2026.15.37.12018Resumo
O presente artigo investiga quais estereótipos de gênero relacionados às ciências exatas atravessam as trajetórias de mulheres pós-graduandas em Educação Matemática. Fundamentado nas contribuições de Guacira Lopes Louro, o estudo adota como procedimentos metodológicos a realização de grupos focais, conforme Bernadete Angelina Gatti, com doze participantes de um programa de pós-graduação. As discussões produzidas nesse contexto são analisadas à luz da Análise do Discurso de inspiração em Eni Orlandi, sendo mobilizados, ao longo do texto, recortes de falas de algumas participantes, selecionados em função de sua relevância analítica. Os resultados evidenciam que os estereótipos de gênero se manifestam desde a adolescência, por meio da deslegitimação do saber feminino e da sub-representação em cursos técnicos, e se reconfiguram na vida acadêmica e profissional, tanto de forma implícita quanto explícita, incluindo a negação da capacidade intelectual das mulheres. Observa-se que tais discursos são reiterados por colegas e docentes, produzindo efeitos de exclusão, insegurança e não pertencimento. Conclui-se que os estereótipos operam como mecanismos de manutenção das desigualdades de gênero nas ciências exatas, mas também podem ser tensionados pelas próprias mulheres, que constroem estratégias de resistência e deslocamento de sentidos no interior desses espaços.
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