Pensamento Computacional ou Pensamento Algébrico?
Tensões, convergências e implicações para a Educação Matemática
DOI:
https://doi.org/10.33871/rpem.2025.14.35.10866Resumo
Este artigo tem como objetivo tensionar a inserção do Pensamento Computacional (PC) no contexto da Educação Matemática, articulando essa discussão com as dimensões históricas e epistemológicas do Pensamento Algébrico enquanto conhecimento constituído ao longo do desenvolvimento humano. Sendo assim, propõe uma reflexão crítica sobre os fundamentos do PC, sua relação com o pensamento matemático e suas implicações para a prática docente. Apoiado em referenciais teóricos como a Teoria Histórico-Cultural, o estudo argumenta que elementos estruturantes do PC (como abstração, decomposição, reconhecimento de padrões e algoritmização) já estão historicamente consolidados no campo do Pensamento Algébrico (PA). O artigo discute o percurso histórico da computação e suas conexões com a matemática, e as bases epistemológicas do PA. A análise se apoia em três experiências pedagógicas: a simulação de um semáforo no Tinkercad, a criação de um aplicativo para contagem calórica no App Inventor e a construção de jogos no Scratch para o desenvolvimento do conceito de função a partir de uma abordagem investigativa. Tais experiências foram realizadas em contextos diferentes e os dados foram produzidos ao longo do desenvolvimento das pesquisas de doutorado de duas autoras deste artigo. Os resultados indicam que essas práticas, mediadas por tecnologias digitais, favorecem a emergência de raciocínios algébricos complexos, sem a necessidade de importar estruturas conceituais externas. Concluímos que a valorização do PA como eixo organizador das práticas matemáticas pode atender às demandas atribuídas ao PC de forma epistemologicamente consistente, respeitando os saberes docentes e ampliando as possibilidades didáticas com o uso de tecnologias.
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