Pensamento Computacional ou Pensamento Algébrico?

Tensões, convergências e implicações para a Educação Matemática

Autores

DOI:

https://doi.org/10.33871/rpem.2025.14.35.10866

Resumo

Este artigo tem como objetivo tensionar a inserção do Pensamento Computacional (PC) no contexto da Educação Matemática, articulando essa discussão com as dimensões históricas e epistemológicas do Pensamento Algébrico enquanto conhecimento constituído ao longo do desenvolvimento humano. Sendo assim, propõe uma reflexão crítica sobre os fundamentos do PC, sua relação com o pensamento matemático e suas implicações para a prática docente. Apoiado em referenciais teóricos como a Teoria Histórico-Cultural, o estudo argumenta que elementos estruturantes do PC (como abstração, decomposição, reconhecimento de padrões e algoritmização) já estão historicamente consolidados no campo do Pensamento Algébrico (PA). O artigo discute o percurso histórico da computação e suas conexões com a matemática, e as bases epistemológicas do PA. A análise se apoia em três experiências pedagógicas: a simulação de um semáforo no Tinkercad, a criação de um aplicativo para contagem calórica no App Inventor e a construção de jogos no Scratch para o desenvolvimento do conceito de função a partir de uma abordagem investigativa. Tais experiências foram realizadas em contextos diferentes e os dados foram produzidos ao longo do desenvolvimento das pesquisas de doutorado de duas autoras deste artigo. Os resultados indicam que essas práticas, mediadas por tecnologias digitais, favorecem a emergência de raciocínios algébricos complexos, sem a necessidade de importar estruturas conceituais externas. Concluímos que a valorização do PA como eixo organizador das práticas matemáticas pode atender às demandas atribuídas ao PC de forma epistemologicamente consistente, respeitando os saberes docentes e ampliando as possibilidades didáticas com o uso de tecnologias.

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Biografia do Autor

Alex Jordane, Instituto Federal do Espírito Santo

É licenciado em Matemática (2000) e mestre em Educação (2007) pela Universidade Federal de Minas Gerais, doutor em Educação pela Universidade Federal do Espírito Santo e realizou estágio pós-doutoral na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Atualmente é professor do Instituto Federal do Espírito Santo, onde atua na Licenciatura em Matemática e no Programa de Pós-Graduação em Educação em Ciências e Matemática (Educimat). Desenvolve pesquisas na área de Educação, com ênfase em Educação Matemática, abordando temas como tecnologias digitais, pensamento computacional, teoria da atividade histórico-cultural e formação de professores.

Andressa Costa, Instituto Federal do Espírito Santo

Doutoranda em Educação em Ciências e Matemática pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Espírito Santo - IFES. Mestra em Matemática pela Universidade Federal do Espírito Santo- UFES. Especialista em Docência do Ensino Superior pela FINOM. Especialista em Metodologia do Ensino da Física pela FIJ. Licenciada em Matemática pela Universidade Federal do Espírito Santo. Atua como professora do Ensino Técnico e Tecnológico no Instituto Federal do Espírito Santo- campus Colatina. Tem experiência na área de Matemática e Educação Matemática. Interessa-se pelos seguintes temas de pesquisa: Práticas Pedagógicas e Recursos Didáticos no contexto da Educação Matemática, Tecnologias Digitais, Investigação Matemática, Resolução de Problemas, Feixes Semióticos, Pensamento Computacional e Pensamento Algébrico. Membro do Grupo de Pesquisa em Educação Matemática e Tecnologias Digitais (EMaTeD) do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Espírito Santo - IFES.

Josias Bravim, Universidade Federal do Espírito Santo

Bacharel em Sistemas de Informação pela Faculdade Vitoriana de Tecnologia, Licenciado em Matemática e Mestre em Educação em Ciência e Matemática pelo Instituto Federal do Espírito Santo. Tem experiência com ensino de Informática e Matemática, interessando-se, principalmente, pela relação entre a Educação Matemática e as Tecnologias Digitais. Atualmente é Técnico em Assuntos Educacionais na Universidade Federal do Espírito Santo e integra o Grupo de Pesquisa em Educação Matemática e Tecnologias Digitais - EMaTeD.

Rony Freitas, Instituto Federal do Espírito Santo

Rony Freitas concluiu doutorado em Educação em 2010 e mestrado em Informática em 2004, ambos pela Universidade Federal do Espírito Santo e com pesquisas no campo da Educação Matemática. Realizou pós-doutorado no campo das Tecnologias Digitais Móveis em Educação Matemática na UFRRJ (2021). Compôs a equipe responsável pela estruturação do Mestrado Profissional em Educação Profissional e Tecnológica - ProfEPT, ofertado em Rede Nacional por 40 Instituições Federais presentes em todos os Estados da Federação e Distrito Federal, do qual foi coordenador no período de 2016 a 2019. Foi diretor da Sociedade Brasileira de Educação Matemática regional Espírito Santo (SBEM/ES) de 2012 a 2018 e vice-coordenador do GT-06 (Educação Matemática: Tecnologias Digitais e Educação a Distância) no triênio 2021-2024, sendo agora coordenador eleito para o próximo triênio. Atualmente é Professor Titular no Instituto Federal do Espírito Santo, atuando como docente no Mestrado e Doutorado em Educação em Ciências e Matemática e como coordenador da Licenciatura em Matemática. É bolsista produtividade (Bolsa Pesquisador Capixaba) pela Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo. É vice-líder do Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação Matemática do Espírito Santo - GEPEM-ES e do Grupo de Pesquisa em Educação Matemática e Tecnologias Digitais - EMaTeD. Tem focado suas pesquisas e trabalhos atuais na confluência da Educação Matemática com tecnologias digitais, principalmente dispositivos móveis. Além disso, tem se debruçado em estudos relacionados à avaliação e à elaboração de Produtos Educacionais.

Rúbia Pereira, Instituto Federal do Espírito Santo

Doutora em Educação em Ciências e Matemática pelo Programa de Doutorado Profissional Educimat-Ifes, na linha de pesquisa em Educação Matemática e Tecnologias. Mestra em Educação em Ciências e Matemática pelo IFES - Vitória, na linha de pesquisa de Transposição Didática e Teoria dos Números. Especialista em Novas Tecnologias Educacionais, pelo FIJ, e em Logística de Produção Integrada, pela UFES. Graduada em Licenciatura Plena em Matemática, pela UFES. Professora de Matemática do IFES - Campus Avançado Viana.

Referências

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Publicado

30-12-2025

Como Citar

Jordane, A., Costa, A., Bravim, J., Freitas, R., & Pereira, R. (2025). Pensamento Computacional ou Pensamento Algébrico? : Tensões, convergências e implicações para a Educação Matemática. Revista Paranaense De Educação Matemática, 14(35). https://doi.org/10.33871/rpem.2025.14.35.10866

Edição

Seção

Artigos Científicos