Entre Dificuldades e Transtornos
a subnotificação da Discalculia e o desafio da Educação Matemática Inclusiva
DOI:
https://doi.org/10.33871/rpem.2026.15.37.11904Resumo
Este estudo qualitativo e documental objetivou identificar a presença de estudantes com Discalculia, matriculados nos anos finais do Ensino Fundamental, em uma instituição pública estadual no noroeste do Paraná. A coleta de dados ocorreu entre os anos de 2023 e 2024 e compreendeu a análise documental de 76 registros de matrícula vinculados à Sala de Recursos Multifuncionais (SRM), além de laudos e Planos Educacionais Individuais. A fundamentação teórica pautou-se nas normativas da educação inclusiva brasileira e em estudos específicos sobre discalculia. Os resultados revelaram a ausência de diagnósticos formais de discalculia na instituição e evidenciam uma lacuna na identificação desses casos. A análise dos prontuários revelou que o termo Dificuldade de Aprendizagem (DA) tem sido utilizado nesses laudos como uma categoria guarda-chuva, sem a especificação do subtipo do transtorno (como dislexia, disortografia ou discalculia). Ao não discriminar a natureza específica do transtorno, o laudo médico acaba por invisibilizar a Discalculia (transtorno em matemática), fazendo com que estudantes que poderiam ter esse transtorno específico não recebessem as intervenções focadas no processamento numérico que a literatura preconiza, ficando a mercê de uma ótica generalista. Contudo, a análise permitiu identificar outras especificidades dos estudantes atendidos na SRM, como Dislexia, Deficiência Intelectual, TDAH, Síndrome de Noonan, Síndrome de DiGeorge e Transtorno do Espectro Autista (TEA). O estudo ressalta a urgência de pesquisas adicionais sobre Discalculia no contexto educacional.
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