Prisão injusta e reconhecimento facial na telenovela “Vai na Fé”: epistemicídio, alterocídio e experiência estética

Autores

DOI:

https://doi.org/10.33871/nupem.2026.18.44.11557

Palavras-chave:

Reconhecimento, prisão injusta, racismo estrutural, experiência estética, “Vai na Fé”

Resumo

Este artigo analisa a representação da prisão injusta por reconhecimento facial falho na telenovela “Vai na Fé” (2023), tendo como objeto de análise a trajetória de Yuri, personagem jovem negro e estudante de Direito. O objetivo é compreender como a ficção televisiva elabora esteticamente essa experiência, a partir de categorias analíticas como mediações culturais, midiatização, epistemicídio, dispositivo de racialidade e alterocídio. A metodologia é qualitativa e interpretativa, com análise narrativa de cenas selecionadas nos capítulos em que o personagem é atravessado pela problemática do reconhecimento facial falho cobrindo desde a primeira prisão injusta até os desdobramentos da segunda detenção. Os resultados indicam que a telenovela opera como espaço de disputa simbólica, tensionando discursos hegemônicos e inscrevendo a experiência racializada da injustiça no campo do sensível e do cotidiano.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

Fontes

ALENCAR, Itana. Com mais de mil prisões na BA, sistema de reconhecimento facial é criticado por “racismo algorítmico”; inocente ficou preso por 26 dias. G1 Bahia, 01 set. 2023. Disponível em: https://encurtador.com.br/BKxg. Acesso em: 13 jul. 2026.

BARBOSA, Francielly. Jovens negros carregam traumas de reconhecimento fotográfico injusto. Agência Brasil, 28 set. 2024. Disponível em: https://encurtador.com.br/dpdC. Acesso em: 06 jul. 2026.

CORREIO BRAZILIENSE. STJ solta homem acusado em 62 processos após erro em reconhecimento facial. Correio Braziliense, 18 maio 2023. Disponível em: https://encurtador.com.br/rfhW. Acesso em: 13 jul. 2026.

DPRJ. Relatórios apontam falhas em prisões após reconhecimento fotográfico. Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro, 24 fev. 2021. Disponível em: https://encurtador.com.br/jNKt. Acesso em: 13 jul. 2026.

DIP, Andrea et al. Reconhecimento facial racista: prisão virou mercadoria para empresas, diz pesquisador. Agência Pública, 17 maio 2025. Disponível em: https://encurtador.com.br/sbCQ. Acesso em: 06 jul. 2026.

DOMINGUES, Renata. Vai na Fé: Rosane Svartman aposta em personagens “gente como a gente” para conquistar o público. Gshow, 13 jan. 2023. Disponível em: https://encurtador.com.br/dmGs. Acesso em: 06 jul. 2026.

MARTINS, Bruno; MARQUES, Jéssica. Justiça absolve porteiro preso há três anos e reconhecido por foto em 62 processos. O Globo, 11 maio 2023. Disponível em: https://encurtador.com.br/jJMu. Acesso em: 06 jul. 2026.

SALEME, Isabelle. Dois dos quatro presos por reconhecimento facial no Rio de Janeiro são liberados. CNN Brasil, 05 jan. 2024. Disponível em: https://bit.ly/3SHP1iU. Acesso em: 06 jul. 2026.

SENADO FEDERAL. Senado aprova mudanças em regras de reconhecimento de acusados; texto vai à Câmara. Senado Notícias, 13 out. 2021. Disponível em: https://encurtador.com.br/sedo. Acesso em: 13 jul. 2026.

SELVATTI, Patrick. “Sou de testar fronteiras”, afirma Rosane Svartman, autora da novela Vai na Fé. Correio Braziliense, 31 dez. 2023. Disponível em: https://encurtador.com.br/FLMV. Acesso em: 06 jul. 2026.

SERPA, Verônica. Entidades alertam para erros nos sistemas de reconhecimento facial e prisões injustas. Alma Preta, 09 dez. 2025. Disponível em: https://encurtador.com.br/hWGd. Acesso em: 06 jul. 2026.

SOUZA, Eliana Silva de. Novela ‘Vai na Fé’, de Rosane Svartman, coloca em foco temas essenciais. O Estado de S. Paulo, 16 jan. 2023. Disponível em: https://encurtador.com.br/QKzD. Acesso em: 06 jul. 2026.

VAI NA FÉ. Criação de Rosane Svartman. Rio de Janeiro: TV Globo, 2023.

Referências

BARROS, Laan Mendes. Comunicação sem anestesia. Revista Brasileira de Ciências da Comunicação, v. 40, n. 1, p. 159-175, 2017.

BARROS, Laan Mendes; FREITAS, Kênia. Experiência estética, alteridade e fabulação no cinema negro. ECO-Pós, v. 21, n. 3, p. 97-121, 2018.

BORELLI, Silvia Helena Simões. Telenovelas brasileiras: balanços e perspectivas. São Paulo em Perspectiva, v. 15, n. 3, p. 29-36, 2001.

BRAGA, José Luiz. A sociedade enfrenta sua mídia: dispositivos sociais de crítica midiática. São Paulo: Paulus, 2006.

CARNEIRO, Sueli. A construção do outro como não-ser como fundamento do ser. 339f. Doutorado em Educação pela Universidade de São Paulo, São Paulo, 2005.

CARNEIRO, Sueli. Dispositivo de racialidade: a construção do outro como não ser como fundamento do ser. Editora Schwarcz-Companhia das Letras, 2023.

LOPES, Maria Immacolata Vassallo de. Narrativas televisivas e identidade nacional: o caso da telenovela brasileira. In: Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação. Anais... Salvador: Intercom, 2002, p. 1-22.

LOPES, Maria Immacolata Vassallo de. Telenovela brasileira: uma narrativa sobre a nação. Comunicação & Educação, n. 26, p. 17-34, 2003.

MACHADO, Arlindo. A televisão levada a sério. São Paulo: Senac, 2000.

MARTÍN-BARBERO, Jesús. De los medios a las mediaciones: comunicación, cultura y hegemonía. Barcelona: Gustavo Gili, 1987.

MARTÍN-BARBERO, Jesús; MUÑOZ, Sonia. Televisión y melodrama. Bogotá: Tercer Mundo, 1992.

MBEMBE, Achille. Crítica da razão negra. São Paulo: n-1 edições, 2018.

PARRET, Herman. A estética da comunicação: além da pragmática. Campinas: Editora da Unicamp, 1997.

RANCIÈRE, Jacques. A partilha do sensível: estética e política. São Paulo: Editora 34, 2009.

RANCIÈRE, Jacques. O espectador emancipado. São Paulo: Martins Fontes, 2012.

SODRÉ, Muniz. Antropológica do espelho. Rio de Janeiro: Vozes, 2002.

SODRÉ, Muniz. As estratégias sensíveis: afeto, mídia e política. Rio de Janeiro: Mauad Editora Ltda, 2006.

Downloads

Publicado

2026-08-11

Edição

Seção

Dossiê "Linguagem, Sociedade e Minorias Sociais"