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Artigos
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Dossiê “História Pública, Memória e Paixões Políticas na América Latina”
História Pública, Memória e Paixões Políticas na América Latina
Submissão: 1º de maio a 30 de junho de 2026
Publicação: v. 19, n. 46, jan./abr. 2026
Orgs: Ian Farouk Simmonds (Ariza Universidad del Magdalena / Asociación Española de Historia Pública), Francisco J. Eversley Torres (Universidad del Atlántico) e Michel Kobelinski (Unespar)
A América Latina continua sendo uma região marcada por disputas intensas em torno da memória, da soberania e do sentido da esfera pública. Sua história recente – atravessada pela colonização, por ditaduras, por resistências populares e por novas formas de autoritarismo – exige uma leitura que combine rigor histórico com a sensibilidade crítica da história pública. Nesse contexto, a memória coletiva não é apenas um objeto de estudo, mas também um campo de ação política, pedagógica e simbólica, no qual as disputas pelo passado se transformam em batalhas pelo presente e pelo futuro.
O ressurgimento contemporâneo de paixões políticas, tanto à direita quanto à esquerda, reabriu o debate sobre emoções coletivas e públicas, formas de participação e o uso instrumental do passado na construção de identidades nacionais. Esse fenômeno não pode ser compreendido de modo isolado: responde a transformações estruturais que, em parte, espelham dinâmicas já observadas na Europa. Como observou Ronald Inglehart no final da década de 1970, a chamada “revolução silenciosa” do pós-materialismo descreve uma mudança geracional: em contextos de maior segurança econômica, parte da população passa a valorizar mais pautas culturais e identitárias do que demandas estritamente materiais. Na Europa, essa inflexão reduziu o peso da classe social como principal eixo de mobilização política e abriu espaço para reações conservadoras, que mais tarde seriam apropriadas e radicalizadas por forças de extrema direita.
Na América Latina, a situação é ambivalente. Desigualdades persistentes mantêm as demandas materiais no centro, mas a expansão de agendas progressistas – sobre gênero, raça e meio ambiente – tem provocado reações. Avanços culturais associados à “Onda Rosa” (Pink Tide) transformaram imaginários sociais, mas também aprofundaram polarizações. Movimentos conservadores e grupos religiosos conseguiram politizar questões não econômicas, convertendo resistências morais às mudanças na vida familiar, na sexualidade e na justiça racial em capital político. O medo e o ressentimento moral tornaram-se forças mobilizadoras, encarnadas – entre outros – em figuras como Jair Bolsonaro, Luiz Inácio Lula da Silva, Javier Milei, José Antonio Kast e Nayib Bukele.
Essa dinâmica revela um paradoxo. Enquanto a esquerda frequentemente se fragmenta entre lutas materiais e culturais, a direita tem combinado a retórica da lei e da ordem e da moral tradicional com discursos anticorrupção e antiestablishment (anti-sistema) que interpelam setores populares desiludidos. Sua eficácia depende menos de uma sólida organização partidária e mais da emoção, uma comunicação direta, sem mediações, que canaliza a indignação social.
Essas são as condições em que a política de direita tem se posicionado, de forma crescente, numa guerra cultural que a esquerda nem sempre tem enfrentado abertamente. A direita também se beneficiou das redes sociais e dos chamados influenciadores, que amplificam sua mensagem e ajudam a estabelecer agendas cotidianas em torno de um retorno a modos de vida conservadores. Nesse cenário, observam-se tensões em torno da memória e releituras históricas que remodelam ideias de “progresso”, tal como foram entendidas e construídas desde o final do século XX – no interior de um amplo pacto social para enfrentar desigualdades, ao menos em termos de igualdade de direitos entre homens e mulheres e para pessoas LGBTQIA+.
Por essas razões, a história pública latino-americana não é mera divulgação, mas uma prática emancipadora e afetiva. Ela implica reativar arquivos esquecidos, reinterpretar símbolos nacionais e criar espaços nos quais as comunidades sejam produtoras de sentido. Diante dos avanços reacionários, o desafio é sustentar a pluralidade, fortalecer a democracia e cultivar uma memória crítica que não apenas lembre, mas também inspire. Entre Macondo e Mompox, entre memória e ação, a América Latina continua escrevendo sua história – uma história viva, atravessada por paixões políticas que ainda podem transformá-la.
Temas sugeridos: processos de construção da memória e identidades político-partidárias; história pública e disputas pela memória política; narrativas sobre ditaduras, transições e reconciliações; museus, arquivos, espaços comemorativos e suas conexões com movimentos políticos; estudos comparativos sobre direita e esquerda na esfera pública; ativismo, movimentos sociais e suas relações com partidos políticos; releituras históricas de partidos tradicionais e de novas forças políticas; comunicação política e ressignificação do passado em campanhas e discursos.
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