O Violão Sete Cordas no Choro Tradicional e no Choro Não Tradicional

Luís Fabiano Farias Borges, Maria Alice Volpe

Resumo


Este artigo tem como objetivo analisar a trajetória estilística do choro no Brasil sob o enfoque do violão de sete cordas. Após breve digressão sobre gênero e estilo, são discutidas modificações de ordem técnica do violão de sete cordas no choro. Considerados os maiores expoentes do instrumento no choro, Dino Sete Cordas e Rabello Raphael contribuíram para inovações estilísticas e organológicas do instrumento na segunda metade do século XX. Essas inovações são analisadas por meio da relação idiomática entre o violão de sete cordas acompanhador e solista, com base em ferramentas analíticas dos próprios músicos de choro. Diante das novas tendências do século XXI, este estudo corrobora a hipótese de que estilos tradicionais e não tradicionais coexistem pacificamente no choro.

Palavras-chave


Raphael Rabello; Dino Sete Cordas; violão de sete cordas; choro; música brasileira popular

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