Arte sob Prompt
Mímesis, IA e o Problema Estético
DOI:
https://doi.org/10.33871/19805071.2026.34.1.11665Palavras-chave:
Inteligência Artificial, Mímesis, Techné, Poiésis, Teoria da arte contemporâneaResumo
Este artigo examina a geração de materiais artísticos por inteligência artificial a partir de um problema estético central: a reconfiguração da mímesis sob condições de escala, automação e circulação algorítmica. Em vez de tratar a IA como sujeito criador ou como ameaça, o texto a enquadra como techné, isto é, como um conjunto de procedimentos e dispositivos que redistribui trabalho, decisão, autoria e responsabilidade, intensificando deslocamentos já em curso na poiésis em práticas baseadas em comando, iteração e curadoria de variações. O argumento é desenvolvido por meio de ensaio teórico-bibliográfico em diálogo com a matriz platônica de suspeita da aparência e com a reabilitação aristotélica da mímesis como aprendizagem e prazer, conectadas a debates modernos e contemporâneos sobre reprodução técnica, pós-fotografia, pós-meio, apropriação e cultura do software. Ao situar a produção por prompt no mundo da arte e nas infraestruturas sociotécnicas que a sustentam, o artigo discute implicações éticas, como transparência de processo, vieses, dados, trabalho invisível e custos materiais, além de efeitos de classe, incluindo a valorização crescente do “humano” e do artesanal como luxo segregado. Conclui-se que a questão decisiva não está em atribuir ou negar criatividade à IA, mas em compreender quais regimes de valor, legitimação e responsabilidade se tornam dominantes quando a mímesis é produzida em escala.
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