Da invenção da identidade pelo Estado-nação à noção de singularidade

Autores

DOI:

https://doi.org/10.33871/nupem.2026.18.43.10622

Palavras-chave:

Identidade, Estado-nação, singularidade

Resumo

A partir do arcabouço conceitual da Filosofia Política da Diferença, o presente artigo se dedica a entender como as identidades são constituídas enquanto ferramentas para erguer controles e sujeições aos corpos aliciados. Dissertando acerca do processo de produção dos sujeitos pelo Capitalismo Mundial Integrado, que tem como instrumento principal de concretização da sua máquina de captura a figura do Estado-nação, que funcionará enquanto um fantasma em um teto político a amarrar os corpos vinculados e a fazer correr cadeias de significância e circuitos específicos de afetos com o objetivo de inventar identidades e determinar modos de vida. Em superação deste processo maquínico, podemos conjecturar movimentos de ultrapassagem dos mecanismos de captura e de identidades inventadas pelos Estados-nações a partir da concepção de singularidade, possibilitando experimentar modos diretos de presença e expressão capazes de ensaiar processos de desacoplamento dos corpos da captura a eles impostos.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

AGOSTINHO, Larissa Drigo. Guattari: máquinas e sujeitos políticos. Trans/form/ação, v. 43, p. 103-126, 2020.

ANDERSON, Benedict. Comunidades imaginadas: reflexões sobre a origem e a difusão do nacionalismo. São Paulo: Companhia das Letras, 2008.

BERGSON, Henri. A evolução criadora. São Paulo: Martins Fontes, 2019.

BURGESS, Anthony. A laranja mecânica. Rio de Janeiro: Artenova, 2014.

CLASTRES, Pierre. A sociedade contra o Estado. São Paulo: Editora Cosac Naify, 2014.

DE GAULLE, Charles. La France n’a pas perdu la guerre: discours et messages. Paris: Didier, 1944.

SOUZA, Anderson Alves de. Contextualizando a história: a origem da invenção dos símbolos nacionais. Letras, n. 56, p. 99-108, 2018.

DEBORD, Guy. A sociedade do espetáculo. Contraponto, v. 102, p. 85-102, 1997.

DELEUZE, Gilles. Conversações. São Paulo: Editora 34, 2017.

DELEUZE, Gilles. Diferença e repetição. São Paulo: Editora Paz e Terra, 2018.

DELEUZE, Gilles. Francis Bacon-Lógica da Sensação. Lisboa: Orfeu Negro, 2011.

DELEUZE, Gilles. Desejo e prazer. Cadernos de subjetividade, v. 4, n. 1, p. 13-25, 1996.

DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. Mil Platôs: capitalismo e esquizofrenia 2. v. 3. São Paulo: Editora 34, 2012a.

DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. Mil Platôs: capitalismo e esquizofrenia 2. v. 1. São Paulo: Editora 34, 2011c.

DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. Mil Platôs: capitalismo e esquizofrenia 2. v. 2. São Paulo: Editora 34, 2011b.

DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. Mil Platôs: capitalismo e esquizofrenia 2. v. 5. São Paulo: Editora 34, 2012b.

DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. O anti-Édipo: capitalismo e esquizofrenia 1. São Paulo: Editora 34, 2011a.

DELEUZE, Gilles; PARNET, Claire. Diálogos. Lisboa: Relógio d’Água, 2004.

FERREIRA, João Leite. Micropolítica em Mil Platôs: uma leitura. Psicologia USP, v. 26, n. 3, p. 397-406, 2015.

FOUCAULT, Michel. A hermenêutica do sujeito: curso dado no Collège de France (1981-1982). São Paulo: Martins Fontes, 2006.

FOUCAULT, Michel. Vigiar e punir: nascimento da prisão. Petrópolis: Editora Vozes, 2024.

FUGANTI, Luiz. Corpo em devir. Sala Preta, v. 7, p. 67-76, 2007.

GIRARD, René. O bode expiatório. Lisboa: Edições 70; Leya, 2020.

GUATTARI, Félix. Caosmose. São Paulo: Editora 34, 2012.

GUATTARI, Félix. Plan sobre el planeta: capitalismo mundial integrado y revoluciones moleculares. Madrid: Traficantes de Sueños, 2004.

GUATTARI, Félix; ROLNIK, Suely. Micropolítica: cartografias do desejo. Petrópolis: Vozes, 1996.

HALL, Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade. Rio de Janeiro: DP&A, 2006.

HILÁRIO, Leomir Cardoso. Da biopolítica à necropolítica: variações foucaultianas na periferia do capitalismo. Sapere Aude, v. 7, n. 13, p. 194-210, 2016.

HOBSBAWM, Eric John. Nações e nacionalismo desde 1780: programa, mito e realidade. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2004.

HOBSBAWM, Eric; RANGER, Terence. A invenção das tradições. São Paulo: Paz e Terra, 2012.

MAQUIAVEL, Nicolau. O príncipe. São Paulo: Martin Claret, 2014.

MARQUES, Wanda Rodrigues. Microfascismo e contrarrevolução molecular: o fascismo no século XXI. 239f. Mestrado em Filosofia pela Universidade de São Paulo. São Paulo, 2025.

MENDES, Sam (Dir). Beleza americana. Los Angeles: DreamWorks Pictures, 1999.

MENEGAZ, Julia García Távora. Os direitos humanos dos “Sem Pátria”. Revista da Seção Judiciária do Rio de Janeiro, v. 22, n. 43, p. 98-109, 2018.

NASSER, Eduardo. Nietzsche e a morte. Cadernos de Filosofia Alemã: Crítica e Modernidade, n. 11, p. 99-110, 2008.

NIETZSCHE, Friedrich. A genealogia da moral: uma polêmica. São Paulo: Minerva Heritage Press, 2024.

NIETZSCHE, Friedrich. Além do bem e do mal: prelúdio a uma filosofia do futuro. São Paulo: Edipro, 2019.

NIETZSCHE, Friedrich. Assim falava Zaratustra. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2011.

PELBART, Peter. Um direito ao silêncio. Cadernos de Subjetividade, v. 1, n. 1, p. 41-48, 1993.

POLIDORI, Miguel Delanoy; COSTA, Luciano Bedin da; KREUTZ, José Ricardo. Pistas para uma ontologia fractal em Félix Guattari: a fractalização dos territórios existenciais. (Des)troços: Revista de Pensamento Radical, v. 5, n. 1, p. e51952, 2024.

ROLNIK, Suely. Esferas da insurreição: notas para uma vida não cafetinada. São Paulo: N-1 Edições, 2019.

THERIOT, Corey. et al. Standard measures in analogs of spaceflight. In: Nasa Human Research Program Investigators Workshop (HRP IWS). Anais... Washington, DC: National Aeronautics and Space Administration, 2024 [banner scientific].

TÓTORA, Silvana. Vontade de potência: a grande política, arte e política em Nietzsche – apontamentos de um estudo inicial. Aurora: Revista de Arte, Mídia e Política, n. 2, p. 134-155, 2008.

VIEIRA, Victor Carneiro Corrêa. A humilhação nacional como instrumento de construção da identidade e da estabilidade política na China. Diálogos, v. 22, n. 3, p. 128-148, 2018.

Downloads

Publicado

2026-03-25

Edição

Seção

Dossiê: Diferenças, identidades e deslocamentos na contemporaneidade: perspectivas interdisciplinares