Quando a dança é performance ou texto da cultura de um lugar:
Jequitinhonha: origem e gesto e Encantado
DOI:
https://doi.org/10.33871/21750769.2026.22.1.11977Palavras-chave:
Performatividade, Representação, DançaResumo
Neste artigo, é desenvolvido o conceito de performatividade em termos antropológicos e artísticos. A performatividade é concebida como um uso linguístico de relevância a partir da segunda metade do século XX, no advento da pós-modernidade, tanto em etnografias como em poéticas artísticas. O uso linguístico performativo é discursivo, ou seja, explicita a relatividade dos sentidos conforme as situações de emissão e recepção. Por isso, se difere do uso linguístico da textualização, que fixa sentidos independente das relações de interlocução. Uma poética de dança se dá pela configuração do movimento, pelas ações dos artistas que realizam, pela relação dos artistas com os demais elementos/objetos que estão em cena. A depender de como a poética é feita, ela pode ser textualizante ou performativa. Após desenvolver teoricamente a diferença entre esses dois tipos de poéticas, e suas implicações éticas, comento acerca da obra Jequitinhonha: origem e gesto, para demonstrar que o modo como sua poética é construída, afim às poéticas da dança clássica, faz com que a dança textualize a cultura do Jequitinhonha. E para vislumbrar uma poética performativa, comento brevemente a obra Encantado, que também tem como temática a cultura de um lugar, mas não produz uma representação dessa cultura.
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