Três Movimentos Descontí­nuos de Rose Bob: o ultraconceitualismo na música dos anos 1960

Autores

  • Itamar Vidal Universidade Estadual de Campinas
  • Micael Antunes Universidade Estadual de Campinas
  • Jônatas Manzolli Universidade Estadual de Campinas

Palavras-chave:

Julio Cortázar, Rogério Duprat, John Cage, Música experimental, Arte conceitual,

Resumo

A composição de Três movimentos descontí­nuos de Rose Bob (2018) foi o resultado de uma pesquisa artí­stica motivada pela arte ultraconceitual praticada nos anos 1960. A peça, para piano e eletrônica em tempo real, foi concebida a partir de indicações encontradas no capí­tulo 23 do romance Rayuela, de Julio Cortázar, publicado em 1963. O material sonoro utilizado foi adaptado de Antinomies I, de Rogério Duprat, composta em 1962 e reescrita em 1966. A metodologia utilizada nessa pesquisa foi a construção, a partir de indicações textuais e diagramas, de uma obra musical que suscitasse, em sua própria gênese, a discussão sobre sua provável estrutura formal. Este texto procura investigar também a emergência simultânea de projetos que, em diferentes segmentos artí­sticos, propuseram ações conjuntas em um perí­odo em que a convulsão polí­tica e o crescimento dos meios de comunicação implicaram profundas modificações nos mecanismos da cena pública e na criação de imagens culturais.

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Biografia do Autor

Itamar Vidal, Universidade Estadual de Campinas

Compositor, instrumentista e arranjador, trabalhou em teatro e cinema com os diretores: José Celso Martinez Correa, Cacá Rosset, Naum Alves de Souza, Iacov Hillel, Jorge Fernando, Clarice Abujamra, Tunica Teixeira, Fauzi Arap, Adriano Stuart e Jose Possi Neto. Premiado no RUMOS - Itaú Cultural – Literatura e RUMOS - Itaú Cultural – Música. Bacharel em Clarineta e Mestre em Artes pelas UNESP. Doutorando em Música no Instituto de Artes do Departamento de Musica da UNICAMP-SP. ORCID: https://orcid.org/0000-0001-5936-4333

Micael Antunes, Universidade Estadual de Campinas

Compositor e pesquisador, graduado pela Faculdade de Artes Alcântara Machado (FAAM) e Mestre em Música pela Universidade de São Paulo. Atualmente é estudante de doutorado do Instituto de Artes da Universidade Estadual de Campinas, sob orientação do Prof. Dr. Jônatas Manzolli e do Prof. Dr. Danilo Rossetti, desenvolvendo projetos colaborativos no Núcleo de Comunicação Sonora (NICS-Unicamp). Sua pesquisa acadêmica inclui sistemas de afinação, modelos psicoacústicos e análise musical, absorvendo também sua pesquisa em sua criação artí­stica. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-0551-388X

Jônatas Manzolli, Universidade Estadual de Campinas

Estuda a cognição e percepção musical e modelos computacionais para criação e análise musicais. Sua produção artí­stica relaciona música instrumental e mista e obras multimodais. É pesquisador Pq do CNPq, professor Titular do Instituto de Artes e pesquisador do NICS, Unicamp. Na pós-graduação em Música se dedica í  formação de pesquisadores que hoje atuam em instituições de referência no Brasil e no exterior. ORCID: https://orcid.org/0000-0003-4257-7118

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Publicado

15.05.2021

Como Citar

Vidal, I., Antunes, M., & Manzolli, J. (2021). Três Movimentos Descontí­nuos de Rose Bob: o ultraconceitualismo na música dos anos 1960. Revista Vórtex, 9(1). Recuperado de https://periodicos.unespar.edu.br/index.php/vortex/article/view/4188

Edição

Seção

Artigos