Ambiguidade: Uma palavra-chave na trajetória da teoria tonal

Autores

  • Sérgio Paulo Ribeiro de Freitas Universidade do Estado de Santa Catarina | Brasil

Resumo

A partir do estudo de Janna Saslaw e dialogando com outros comentaristas, o artigo propõe uma revisão da noção de ambiguidade no domí­nio da tonalidade harmônica. Para tanto, em perspectiva transepocal, são referenciados entendimentos de teóricos europeus (tais como Rameau, Rousseau, Kirnberger Vogler, Weber, Sechter, Richter, Hauptmann, Riemann, Schenker, Schoenberg) e de autores da jazz theory (Greene, Groove e Dobbins). Notando que a noção ressoa em outras áreas (estética, filosofia, literatura, poesia, retórica etc.), conclui-se que, entre o apogeu e o declí­nio, a tese dos múltiplos significados fomentou fantasias criativas e teóricas que afetam nossas interpretações crí­tico-valorativas da música tonal.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Sérgio Paulo Ribeiro de Freitas, Universidade do Estado de Santa Catarina | Brasil

Professor nos cursos de graduação e pós-graduação em Música na Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC). Possui mestrado (UNESP, 1995) e doutorado (UNICAMP, 2010) no campo da teoria e análise da música popular. É membro dos grupos de pesquisa Música, Cultura e Sociedade - MUSICS (UDESC) e Música Popular: história, produção e linguagem (UNICAMP). Sua atuação docente, pesquisas e publicações se desenvolvem nos campos da teoria e análise musical, música popular e harmonia tonal. Atualmente desenvolve o projeto de pesquisa "A teoria anda só? Questões de história e reexame analí­tico em repertório tonal". ORCID: https://orcid.org/0000-0002-0215-616X. E-mail: sergio.freitas@udesc.br

Referências

ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de filosofia. São Paulo: Mestre Jou, 1982.

ADORNO, Theodor. Filosofia da nova música. São Paulo: Ed. Perspectiva, 2004.

AGAWU, V. Kofi. Ambiguity in tonal music: a preliminary study. In: POPLE, Anthony. Theory, analysis, and meaning in music. Cambridge: Cambridge University Press, 1994. p. 86"107.

BERNDT, Frauke e KAMMER, Stephan (Orgs). Amphibolie, Ambiguität, Ambivalenz. Würzburg: Königshausen & Neumann, 2009.

BERNSTEIN, David W. Nineteenth-century harmonic theory: The Austro-German legacy. In: CHRISTENSEN, Thomas (Ed.). The Cambridge history of western music theory. Cambridge: Cambridge University Press, 2006. p. 778-811.

BORGES, Jorge Luí­s. Pierre Menard, autor do Quixote. In: ______. Ficções. São Paulo, Companhia das Letras, 2007.

CEIA, Carlos. Ambiguidade. In: E-Dicionário de Termos Literários. Universidade Nova de Lisboa, 2009.

CHAPMAN, David. Thoroughbass pedagogy in nineteenth-century Viennese composition and performance practices. Ph.D. dissertation. New Brunswick, The State University of New Jersey, 2008.

CHRISTENSEN, Thomas. Rameau and musical thought in the enlightenment. Cambridge: Cambridge University Press, 1993.

D'ALEMBERT, Jean-Baptiste Le Rond. Double emploi. In: DIDEROT, Denis e D'ALEMBERT, Jean-Baptiste Le Rond (Ed.). Encyclopédie ou Dictionnaire raisonné des sciences, des arts et des métiers. Tomo 5, 1751. p. 79.

DAMSCHRODER, David. Thinking about harmony. Cambridge University Press, 2008.

DOBBINS, Bill. A creative approach to jazz piano harmony. Rottenburg: Advance Music, 1994.

DUDEQUE, Norton E. Music theory and analysis in the writings of Arnold Schoenberg. Aldershot: Ashgate, 2005.

______. Variação progressiva como um processo gradual no primeiro movimento do Quarteto A Dissonância, K. 465, de Mozart. Per Musi, Belo Horizonte, v. 8, p. 41- 56, jul. dez. 2003.

ECO, Umberto. História da beleza. Rio de Janeiro: Record, 2004.

FREITAS, Sérgio Paulo Ribeiro de. Da música como criatura viva: Repercussões do organicismo na teoria contemporânea. Revista Cientí­fica/FAP, Curitiba, v. 9, p. 64-82, 2012.

______. Que acorde ponho aqui? Harmonia, práticas teóricas e o estudo de planos tonais em música popular. Tese (Doutorado em Música). Instituto de Artes, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2010.

______. Relação e sistema: duas palavras-chave na trajetória da teoria tonal. Musica Theorica, n. 2, v. 3, p. 203-226, 2018.

GRAVE, Floyd K., e GRAVE Margaret G. In praise of harmony: the teachings of Abbé Georg Joseph Vogler. Lincoln: University of Nebraska Press, 1988.

GREENE, Ted. Chord chemistry. Canoga Park, CA.: Dale Zdnek Publications, 1971.

GROVE, Dick. Arranging concepts, complete: the ultimate arranging course for today's music. Van Nuys, CA: Alfred Pub. Co, 1985.

HARRISON, Daniel. Harmonic function in chromatic music: a renewed dualist theory and an account of its precedents. Chicago, University of Chicago Press, 1994.

HAUPTMANN, Moritz. Die Natur der Harmonik und der Metrik: zur Theorie der Musik. Leipzig: Erscheinungsjahr, 1888.

HERRLEIN, Julio. Combinatorial harmony: concepts and techniques for composing and improvising. Pacific, MO: Mel Bay, 2013.

KOPP, David. Chromatic transformations in nineteenth-century music. Cambridge: Cambridge University Press, 2002.

LESTER, Joel. Compositional theory in the eighteenth century. Cambridge, Mass: Harvard University Press, 1996.

______. Rameau and eighteenth-century harmonic theory. In: CHRISTENSEN, Thomas (Ed.). The Cambridge history of western music theory. Cambridge University Press, 2006. p. 753-777.

MANN, Thomas. Doutor Fausto: a vida do compositor alemão Adrian Leverkühn narrada por um amigo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2000.

MEYER, Leonard B. El estilo en la música. Teoria musical, história e ideologia. Madrid: Ed. Pirámide, 2000.

______. La emoción y el significado en la música. Madrid: Alianza Editorial, 2001.

MORENO, Jairo. Musical representations, subjects, and objects: the construction of musical thought in Zarlino, Descartes, Rameau, and Weber. Bloomington: Indiana University Press, 2004.

OLIVEIRA, ísis Biazioli de, e VIDEIRA, Mario. A trí­ade aumentada em Liszt e o tratado de harmonia de Weitzmann. In: Jornada Acadêmica Discente do Programa de Pós-Graduação em Música ECA/USP. Anais ... São Paulo: ECA - USP, 2015. p. 159-167.

PACHECO JÚNIOR, Genil de Castro. Pluralidade: o processo criativo da ressignificação de estruturas harmônicas e melódicas. (Dissertação de mestrado). Instituto de Artes, Departamento de Música, Universidade de Brasí­lia, Brasí­lia, 2010.

RICHTER, Ernst Friedrich. Tratado de armoní­a teórico y práctico. Leipzig, Breitkopf & Haertel, 1922.

ROUSSEAU, Jean-Jacques. Diccionario de música. Madrid: Ediciones Akal, 2007.

SANTIAGO, Silviano. Com quantos paus se faz uma canoa. In: SOUZA, Eneida Maria de; MIRANDA, Wander Melo (Org.). Arquivos literários. São Paulo: Ateliê Editorial, 2003. p. 15-24.

SASLAW, Janna K. e WALSH James P. Musical invariance as a cognitive structure: "multiple meaning" in the early nineteenth century. In: BENT, Ian (Ed.). Music theory in the age of romanticism. Cambridge: Cambridge University Press, 1996, p. 211-231.

SASLAW, Janna K. Gottfried Weber and the concept of Mehrdeutigkeit. Ph.D. dissertation. Columbia University, 1992.

SCHENKER, Heinrich. Tratado de armonia. Madrid: Real Musical, 1990.

SCHOENBERG, Arnold. Funções estruturais da harmonia. São Paulo: Via Lettera, 2004.

______. Fundamentos da composição musical. São Paulo: Edusp, 1991.

______. Harmonia. São Paulo: Ed. da Unesp, 2001.

SCHOPENHAUER, Arthur. O mundo como vontade e representação. São Paulo: Abril Cultural, 1974.

SECHTER, Simon. Die Grundsätze der musikalischen Komposition. Leipzig: Druck und Verlag von Breitkopf und Härtel, 1853.

TESAURO, Emanuele. Argúcias Humanas. (Excerto de Il Cannocchiale aristotelico, 1670). Tradução de Gabriella Cipollini e João Adolfo Hansen. Revista do Instituto de Filosofia Artes e Cultura, IFAC-UFOP, Ouro Preto, v.4, p. 3-10, 1997.

WASON, Robert W. Viennese harmonic theory from Albrechtsberger to Schenker and Schoenberg. Rochester, NY: University of Rochester Press, 1995.

WEBER, Gottfried. Versuch einer geordneten Theorie der Tonsetzkunst zum Selbstunterricht, v. 2. Mainz: B. Schotts Söhne, 1824.

WEBER, Max. Os fundamentos racionais e sociológicos da música. São Paulo: Edusp, 1995.

Downloads

Publicado

31.08.2019

Como Citar

Freitas, S. P. R. de. (2019). Ambiguidade: Uma palavra-chave na trajetória da teoria tonal. Revista Vórtex, 7(2). Recuperado de https://periodicos.unespar.edu.br/index.php/vortex/article/view/2873

Edição

Seção

Artigos