Impactos das diretrizes curriculares nacionais na formação inicial de professores de matemática: entre políticas públicas, currículo e prática docente no Brasil contemporâneo
DOI:
https://doi.org/10.33871/23594381.2026.24.2.12322Resumen
A formação inicial de professores de Matemática ocupa posição estratégica nas discussões educacionais brasileiras, especialmente diante das mudanças curriculares promovidas pelas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs), pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e pelas normativas voltadas à formação docente. Este estudo analisa criticamente os impactos dessas diretrizes na organização dos cursos de Licenciatura em Matemática, considerando as relações entre políticas públicas, currículo e prática pedagógica. A pesquisa busca compreender como as transformações ocorridas entre 2002 e 2024 influenciaram os processos formativos, a construção da identidade profissional docente e a qualidade da formação oferecida pelas instituições de ensino superior. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa qualitativa, de natureza aplicada e caráter exploratório, desenvolvida por meio de revisão bibliográfica e análise documental de legislações educacionais, resoluções do Conselho Nacional de Educação, DCNs, BNCC e estudos da área de formação de professores e Educação Matemática. A interpretação dos dados fundamentou-se na Análise de Conteúdo de Bardin, permitindo identificar categorias relacionadas às políticas curriculares, à formação docente e às práticas pedagógicas. Os resultados evidenciam avanços decorrentes das DCNs, especialmente na valorização das práticas pedagógicas, dos estágios supervisionados e da aproximação entre teoria e prática. Contudo, permanecem desafios relacionados à integração entre conhecimentos matemáticos e pedagógicos, à incorporação crítica das tecnologias digitais, às desigualdades regionais e à autonomia das instituições formadoras. O estudo também aponta que a centralização curricular associada ao modelo de competências intensificou debates sobre tecnicismo, padronização da formação e enfraquecimento da dimensão crítica do trabalho docente. Conclui-se que a formação inicial de professores de Matemática demanda políticas públicas mais democráticas, contextualizadas e integradoras, capazes de articular conhecimento científico, prática pedagógica, inclusão educacional e compromisso social, respondendo de forma crítica aos desafios contemporâneos da educação brasileira. Além disso, destaca-se a necessidade de fortalecer pesquisa, reflexão pedagógica e formação humanística nos cursos brasileiros contemporâneos e diversos.