Qualidade e técnica de curtimento em couros de linguados

Katia Kalko Schwarz, Suelen Cunha Agostinho, Nagila De Souza Pereira

Resumo


O presente estudo foi realizado com os objetivos de avaliar as características histológicas das epidermes de linguado (Paralichthys spp.) e no desenvolvimento de técnica curtente com tanino vegetal de mimosa, avaliando a resistência do produto final totalmente isento de sais de cromo. Após o curtimento das peles foram retirados corpos-de-prova no sentido longitudinal e transversal em relação ao comprimento do peixe, submetendo-se ao teste de resistência. O couro do linguado-abaxial (pele branca) e linguado-axial (pele preta) apresentou diferenças morfológicas na flor da pele. Os testes de resistência à tração, alongamento e força máxima aplicada até a ruptura no sentido longitudinal foram significativos (P<0,05), porém no sentido transversal os valores não diferiram. O linguado-abaxial apresentou resultados de 18,10N/mm², 55,75 %e 104,84 N. Comparado ao linguado-axial, 20,97 N/mm², 44,25% e 145,2 N. Ambas as peles diferiram quanto à disposição das fibras colágenas e espessura dos couros. O couro do linguado-axial pode ser utilizado na confecção de cabedal de moda (vestuários) e o couro do linguado-abaxial para customizações, visto ser este de menor espessura. Estes estudos sugerem que a quantidade das fibras colágenas, bem como a sua disposição nas peles do linguado podem ter interferido na determinação da resistência após o curtimento.


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