Tradução: AMOR DE VERÃO
NOTAS URGENTES SOBRE A ASSEMBLEIA ANTIFASCISTA ANTIRRACISTA LGBTQIAPN+
DOI:
https://doi.org/10.33871/sensorium.2026.13.11854Palavras-chave:
antifascismo; ativismo LGBTQIAPN+; imaginação política.Resumo
Não espero (nem posso) ocupar o gesto pomposo de propor uma abordagem teórica sobre formas incipientes e frágeis de resistência. Em meio às abruptas reconfigurações do mundo conhecido, evidenciadas no atual ciclo histórico com avanços eleitorais da ultra-direita e pelo crescente estado de guerra e genocídio ao nível global; diante de um mundo no qual as palavras e as formas de ação política que vínhamos usando historicamente para imaginar possibilidades emancipatórias parecem arrebatadas, apropriadas, esvaziadas ou desacreditadas, prefiro ensaiar um exercício pessoal circunscrito de escrita que dê conta dos fatos e também dos debates que nos atravessam e que, espero, alimente um potencial diário de bordo coletivo. Proponho compartilhar aqui a trajetória vertiginosa de uma experiência política que irrompeu na Argentina nos primeiros meses de 2025 de forma inesperada e desafiadora, fora das lógicas e organizações conhecidas (sindicatos, partidos políticos, federações da comunidade LGBTQIAPN+) e que se expressou de forma indubitável na manifestação multitudinária de 1º de fevereiro em Buenos Aires e em centenas de cidades e vilas da Argentina e outras cidades do mundo, estimando-se um total de dois milhões de pessoas mobilizadas naquele dia. Compartilho uma série de notas escritas na primeira pessoa do singular, como participante e testemunha direta desse processo, em diálogo polifônico com depoimentos e análises escritas por outras pessoas envolvidas. Aspiro a dar conta das coordenadas de sua vertiginosa gestação, do caráter de evento público que alcançou, e também dos limites e conflitos que estão causando estragos logo após essa experiência excepcional. Esta crônica pessoal é escrita em meio à urgência, sem distância nem calma. Estamos atordoades e ferides pela magnitude e virulência dos ataques que estamos recebendo. Mas, ao mesmo tempo, em meio a este tempo atroz, apesar de tudo, não deixamos de inventar coletivamente maneiras de enfrentar tamanha escalada de ódio e sustentar a possibilidade de vidas dissidentes.
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