Artigo: GUERRILHA PICTÓRICA

O USO DA PINTURA EM UMA ABORDAGEM FEMINISTA PRETA COMO FERRAMENTA DE CRÍTICA SOCIAL NO CONTEXTO URBANO PERIFÉRICO.

Autores

DOI:

https://doi.org/10.33871/sensorium.2026.13.11325

Palavras-chave:

arte preta periférica, feminismo negro, arte preta periracismo estrutural, ativismo periférico negro, ocupação do espaço público

Resumo

Este artigo discute como a minha produção pictórica (feminista, preta e periférica) desenvolvida no curso de pós-graduação, no PPGAV da UDESC em Santa Catarina, tem levado as pautas e os questionamentos sociais para a academia reinventado as estratégias de ativismo periférico preto em locais fechados e excludentes como as galerias e museus de arte de Florianópolis.  As discussões sobre combate à violência urbana contra pessoas pretas e a reivindicação do direito do corpo preto ocupar (usar e usufruir|) dos espaços públicos do Brasil gerou esta escrita que tem como estudo de caso central a exposição “Em Legítima Defesa”, em cartaz na Galeria Lama, em Florianópolis até dia 06 de dezembro de 2025 conectada a um diálogo imagético e político com a minha dissertação de mestrado intitulada “Manual de Sobrevivência: Lutas de uma Mulher Artista Preta no Combate ao Racismo Estrutural”. Partindo das epistemologias feministas negras, estudos contracoloniais (SANTOS, 2023) e da metodologia da escrevivência de Conceição Evaristo (2020), discorro como a poética artística pode se transformar em ferramenta de luta utilizando suportes não convencionais, imagens midiatizadas de violência urbana, objetos domésticos e símbolos estatais na criação de objetos que denunciam de forma radical o genocídio de corpos pretos e periféricos. Argumento ainda que a minha produção constitui uma forma de ativismo direto estético que pretende tensionar regimes de visibilidade quanto ao direito de ocupar o espaço público sem ser assassinado pelo Estado. O papel da arte visual e das performances na reinvenção do ativismo direto e na ocupação do espaço público.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Dalva Franca de Assis, UDESC

Doutoranda e mestre em processos artísticos contemporâneos pela Universidade Estadual de Santa Catarina (UDESC) e licenciatura em Artes Visuais pela mesma universidade. Nasceu na Vila Falchi, na cidade de Mauá, região metropolitana de São Paulo e atualmente vive em Florianópolis, Santa Catarina. 

Mariurka Maturell Ruiz, UDESC

Formada em História da Arte e mestre em Estudos Cubanos e do Caribe pela Universidade de Oriente (Cuba), é doutora em História pela Universidade Federal de Santa Catarina, com pós-doutorado em História (PPGH/UDESC) e em Artes Visuais (PPGAV/CEART/UDESC).

Referências

ASSIS, Dalva França de. Manual de sobrevivência: lutas de uma mulher artista preta no combate ao racismo estrutural. 2024. Dissertação (Mestrado em Artes Visuais) – Universidade do Estado de Santa Catarina, Centro de Artes, Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais, Florianópolis, 2024. Orientadora: Profa. Dra. Silvana Barbosa Macedo.

BENTO, Cida. O pacto da branquitude: um convite à construção do Brasil alicerçado na equidade racial. São Paulo: Companhia das Letras, 2022.

CARNEIRO, Sueli. Escritos de uma vida. Belo Horizonte: Letramento, 2018.

CHAGAS, Tamara Silva. Frederico Morais: a crítica de arte e seus desdobramentos. Vitória: Edufes, 2019.

EVARISTO, Conceição. A escrevivência e seus subtextos. In: DUARTE, Constância Lima; NUNES, Isabella Rosado (org.). Escrevivência: a escrita de nós. Reflexões sobre a obra de Conceição Evaristo. Rio de Janeiro: Mina Comunicação e Arte, 2020b.

EVARISTO, Conceição. Olhos d’água. Rio de Janeiro: Pallas, 2017.

EVARISTO, Conceição. Poemas da recordação e outros movimentos. Rio de Janeiro: Malê, 2017b.

FANON, Frantz. Pele negra, máscaras brancas. Tradução de Sebastião Nascimento e colaboração de Raquel Camargo; Prefácio de Grada Kilomba; Posfácio de Deivison Faustino; Textos Complementares de Francis Jeanson e Paul Gilroy. São Paulo: Ubu Editora, 2020.

GONZALEZ, Lélia. Por um Feminismo Afro-Latino-Americano: Ensaios, Intervenções e Diálogos. Rio Janeiro: Zahar. 2020. 375 pp

hooks, Bell. Ensinando a transgredir: a educação como prática da liberdade. São Paulo: Martins Fontes, 2013.

MBEMBE, Achille. Necropolítica: biopoder, soberania, estado de exceção, política da morte. Tradução de Renata Santini. São Paulo: N-1 Edições, 2018.

MILLS, Charles W. O contrato racial: edição comemorativa de 25 anos. Tradução: Tófolo Reis; Breno Santos. 1. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2023.

MORAIS, Frederico. Contra a arte afluente: o corpo é o motor da obra. Revista de Cultura Vozes, Rio de Janeiro, ano 64, v. 64, n. 1, p. 45-59, jan./fev.1970.

OLIVEIRA, L.Grada Kilomba: “O colonialismo é a política do medo. É criar corpos desviantes e dizer que nós temos que nos defender deles”. El País, Brasil. 11 set. 2019. Disponível em: EM FAVOR DE IGUALDADE RACIAL, Rio Branco – Acre, v. 6, n.3, p. 193-204, set-dez. 2023. 204 https://brasil.elpais.com/brasil/2019/08/19/cultura/1566230138_634355.html. Acesso em: 27 nov. 2025.

PIGNATARI, Décio. Teoria da guerrilha artística. In: ______. Contracomunicação. 3. ed. São Paulo: Ateliê Editorial, 2004. p. 167-176.

SANTOS, Antônio Bispo dos. A terra dá, a terra quer. São Paulo: Ubu Editora/PISEAGRAMA, 2023.

SAVIANI, D. Escola e democracia (43ª ed. rev.). Campinas, SP: Autores Associados, 2018.

SAVIANI, Dermeval. Pedagogia histórico-crítica: primeiras aproximações. 9. ed. São Paulo: Autores Associados, 2005.

Downloads

Publicado

2026-03-30