O que tem a ver com drag?
Três trajetórias para pensar uma linguagem artística indisciplinada
DOI:
https://doi.org/10.33871/sensorium.2026.13.12377Palavras-chave:
Drag, Performance, Queer, Gênero, Artes integradasResumo
Este artigo investiga concepções e relações possíveis da arte drag como uma linguagem artística interdisciplinar, propondo sua compreensão também no campo das artes visuais. Partindo da impossibilidade de estabelecer uma definição única para esta prática, são analisadas as trajetórias de três artistas drag atuantes na cena de Florianópolis/SC – Victoria Becker, Arsênica e Patty Faria – buscando identificar aproximações, diferenças e modos distintos de compreender e praticar essa linguagem. A pesquisa fundamenta-se em entrevistas semiestruturadas realizadas com as artistas, articuladas às observações de uma das autoras, Eco Zazu (Allan Cardoso), enquanto integrante da comunidade drag local e ao diálogo com autoras e autores dos estudos queer/cuir, de gênero e das artes. A análise percorre quatro eixos principais: os primeiros contatos das entrevistadas com a montação; as relações entre drag e construção de gênero; os vínculos comunitários, famílias drag e redes de afeto; e as diferentes concepções sobre o que constitui a prática drag. Os resultados apontam que a primeira experiência de montação mantém estreita relação com as concepções desenvolvidas posteriormente por cada artista, ao mesmo tempo em que evidenciam a influência de marcadores como gênero, raça, classe e trajetória social na produção artística e nas formas de pertencimento à comunidade. Concluo que drag opera como uma linguagem visual, performática e relacional, capaz de produzir imagens, fabricar corpos e reorganizar modos de olhar para si e para o outro, recusando definições fixas e reafirmando seu caráter múltiplo, processual e antinormativo.
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Referências
Livros
ANZALDÚA, G. Luz neste lugar: escritos selecionados. Tradução de Joana Plaza Pinto et al. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2021.
BUTLER, J. Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade. Trad. Renato Aguiar. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003.
LOURO, G. Um corpo estranho: ensaios sobre sexualidade e teoria queer. 3ª ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2018.
Dissertações
VENCATO, A. Fervendo com as drags: corporalidades e performances de drag queens em territórios gays da Ilha de Santa Catarina. Dissertação (Mestrado em Antropologia Social). Centro de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2002.
VERGARA, D. Eu, uma drag, no país das maravilhas: uma etnografia do devir Trans em Pelotas-RS. Dissertação (Mestrado em Antropologia). Instituto de Ciências Humanas, Universidade Federal de Pelotas, Pelotas, 2014.
Entrevistas
ARSÊNICA. Entrevista concedida a Allan Cardoso (Eco Zazu) e Debora Pazetto. Florianópolis, 18 de julho de 2025.
BECKER, Victoria. Entrevista concedida a Allan Cardoso (Eco Zazu) e Debora Pazetto. Florianópolis, 17 de julho de 2025.
FARIA, Patty. Entrevista concedida a Allan Cardoso (Eco Zazu) e Debora Pazetto. Florianópolis, 28 de abril de 2026.
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