Artigo: CASA-ATELIÊ COMO TERRITÓRIO ENTRE VIVER E CRIAR
HISTÓRIAS DE TRÊS MULHERES ARTISTAS
DOI:
https://doi.org/10.33871/sensorium.2026.13.11321Palavras-chave:
Casa, Ateliê, Feminismo, Imagem-poética.Resumo
Este artigo situa-se na confluência entre artes visuais e arquitetura e investiga a experiência perceptiva e afetiva nas casas-ateliês de três artistas catarinenses. O objetivo é analisar como esse espaço doméstico e criativo expressa a relação entre feminismo e crítica anticapitalista, ao propor modos de habitar e produzir que desafiam a separação moderna entre arte e vida, trabalho e cuidado. Em uma perspectiva ampliada, busca-se compreender, no campo artístico, a relação entre os espaços criativos e as linguagens de cada artista e no campo arquitetônico, refletir sobre como uma metodologia de projeto pode ser alargada para incorporar dimensões perceptivas, simbólicas e subjetivas no processo de concepção espacial. O artigo salienta a historicidade da relação entre mulheres artistas e seus espaços de criação e observa que foram as mulheres que iniciaram um deslocamento epistemológico da abstração do projeto ideal à observação do cotidiano. A pesquisa, de base teórica transdisciplinar e metodologia etnográfica, envolveu observação participante, entrevistas e registros audiovisuais durante uma convivência prolongada com as artistas. A abordagem fenomenológica, fundamentada em Heidegger (2002), Norberg-Schutz (1995), Merleau-Ponty (2011) e Coccia (2024), como também na trajetória teórica de Ostrower (2013), Colomina (1996), Muxí (2024) e Brito (2025); articula-se para compreender as afetações recíprocas entre arte, moradia e corpo. Adota-se uma perspectiva feminista e crítica, entendendo as casas-ateliês como espaços de resistência e autonomia diante das estruturas patriarcais e capitalistas que historicamente separaram vida e trabalho. Propõe-se, assim, o conceito de casa-ateliê como imagem poética, nos termos de Gaston Bachelard, revelando as dimensões imaginárias e afetivas que sustentam o habitar criativo. Ao evidenciar as mulheres na construção de seus territórios de criação, o artigo demonstra como o ateliê se torna também espaço de proposição de práticas situadas, sensíveis e emancipadoras no campo da arte e da arquitetura.
Palavras-chave: Casa. Ateliê. Feminismo. Imagem-poética.
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