O que será do autor?
Pistas para pensar a questão da autoria na arte em tempos de Inteligência Artificial Generativa
DOI :
https://doi.org/10.33871/19805071.2026.34.1.11721Mots-clés :
Autoria, Inteligência Artificial Generativa, Arte Contemporânea, Direito Autoral, Curadoria CríticaRésumé
O presente artigo analisa as possíveis transformações contemporâneas na noção de autoria frente ao avanço das tecnologias de Inteligência Artificial Generativa (IAG). O estudo investiga como a automação da produção simbólica tensiona conceitos clássicos de criação, originalidade e agência, historicamente fundamentados na centralidade do sujeito humano. Por meio de uma revisão bibliográfica e documental que abrange a teoria da arte e o direito autoral, discute-se o deslocamento do “fazer manual” para o campo da decisão técnica e da curadoria de dados. Analisam-se casos contrapondo as visões ontológicas de teóricos das artes aos imperativos pragmáticos do sistema jurídico e institucional. Os resultados indicam que a autoria é reconfigurada como uma função de mediação e vigilância intelectual sobre sistemas complexos. A análise das obras revela que a autoria na era das IAGs se manifesta por uma pluralidade de táticas que reconfiguram a agência humana: da curadoria de resultados e arquitetura de processos à construção de dados artesanais, simbiose relacional e automação invertida. Conclui-se que a agência autoral na era da IAG reside na capacidade de intervir nos sistemas de visibilidade e na responsabilidade ética sobre o processo técnico, estabelecendo a curadoria crítica como o importante pilar da expressão artística na atualidade.
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