Sonhar imagens que não existem
fabulação, arquivo e inteligência artificial
DOI :
https://doi.org/10.33871/19805071.2026.34.1.11720Mots-clés :
Arquivo, Fabulação crítica, Inteligência artificial, Cinema negro, ReexistênciaRésumé
O artigo investiga como práticas audiovisuais contemporâneas mobilizam a inteligência artificial não como mera ferramenta técnica, mas como regime de produção imagética capaz de reconfigurar as relações entre arquivo, memória e fabulação no contexto das imagens negras. A partir da análise do curta-metragem Emi Ofe (2024), de Igi Lola Ayedun, discute-se como imagens artificiais, desprovidas de lastro indexical e desvinculadas de um passado arquivável, deslocam o estatuto da evidência documental e tensionam o paradigma moderno da imagem como vestígio. Ancorada em abordagem ensaístico-analítica, a pesquisa articula fabulação crítica, afrofabulação e promptografia para demonstrar que a imaginação especulativa, longe de operar como reparação retrospectiva, constitui gesto político de reexistência diante das lacunas do arquivo colonial, afirmando presenças, corpos e futuros possíveis no audiovisual contemporâneo.
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