Quando o algoritmo aprende a contar histórias
um estudo comparativo de roteiros de telenovela gerados por inteligência artificial
DOI :
https://doi.org/10.33871/19805071.2026.34.1.11424Mots-clés :
Inteligência Artificial Generativa, Roteirização Audiovisual, TelenovelaRésumé
A expansão das inteligências artificiais generativas tem provocado transformações significativas nos processos criativos do audiovisual. Este artigo analisa a produção de roteiros de telenovela por sistemas de inteligência artificial generativa, investigando seus limites, recorrências e potencialidades narrativas. Parte-se da hipótese de que, embora essas tecnologias sejam capazes de gerar textos estruturalmente coerentes e alinhados às convenções do gênero, seus outputs tendem à padronização algorítmica, à reprodução de clichês e à restrição na construção de afetos complexos e culturalmente situados. A pesquisa adota uma abordagem qualitativa e exploratória, baseada na produção experimental de roteiros a partir de um mesmo prompt aplicado a três plataformas distintas de IA (ChatGPT, Gemini e DeepSeek), seguida de uma análise comparativa quanto à coerência textual, estrutura dramática, construção de personagens e estratégias de produção do afeto. O referencial teórico articula contribuições dos estudos de narrativa, cultura digital e inteligência artificial, mobilizando autores que compreendem a IA como dispositivo cultural inserido em regimes de mediação simbólica e previsibilidade algorítmica. Os resultados indicam convergências estruturais expressivas entre os roteiros produzidos e posteriormente analisados. Conclui-se que a IA generativa opera menos como agente criativo autônomo e mais como sistema de recombinação probabilística de formas narrativas consolidadas, o que reforça a necessidade de abordagens críticas, éticas e interdisciplinares sobre seu uso no audiovisual contemporâneo.
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