A criatividade após a inteligência artificial
da reprodutibilidade técnica à generatividade estatística
DOI:
https://doi.org/10.33871/19805071.2026.34.1.11572Palabras clave:
Inteligência artificial, Criatividade, Arte contemporânea, Tecnologia e estética, Cultura digitalResumen
O artigo examina as transformações da criatividade artística no contexto da inteligência artificial, deslocando o debate da oposição entre substituição humana e eficiência técnica para a compreensão da IA como uma infraestrutura que influencia percepções, sensibilidades e processos criativos. Sob uma perspectiva teórico-crítica, o texto analisa os deslocamentos ontológicos da criação artística na transição da reprodutibilidade técnica para a generatividade estatística. Na primeira parte, desenvolve-se uma crítica ao instrumentalismo técnico, compreendendo a criatividade como um processo relacional e distribuído, produzido por mediações sociotécnicas que configuram as condições do fazer artístico, sem atribuir autonomia criativa aos sistemas técnicos. A segunda parte analisa os impactos da estética computacional sobre o estatuto ontológico da obra, que deixa de ser singular para se tornar uma instância probabilística em espaços latentes, reconfigurando a variação formal e a experiência estética. Por fim, a terceira parte aborda as implicações políticas e éticas da IA nas artes, com atenção ao extrativismo de dados, aos limites da automação criativa e à necessidade de abordagens críticas que promovam a tecnodiversidade e formas de resistência à homogeneização algorítmica. O perigo da inteligência artificial nas artes não reside na obsolescência do humano, mas na redução da criação a um regime puramente calculável. A resistência consiste em habitar o incalculável e o imprevisto, reorientando a tecnologia como um motor de diferenciação estética e política.
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