A criatividade após a inteligência artificial

da reprodutibilidade técnica à generatividade estatística

Autores/as

DOI:

https://doi.org/10.33871/19805071.2026.34.1.11572

Palabras clave:

Inteligência artificial, Criatividade, Arte contemporânea, Tecnologia e estética, Cultura digital

Resumen

O artigo examina as transformações da criatividade artística no contexto da inteligência artificial, deslocando o debate da oposição entre substituição humana e eficiência técnica para a compreensão da IA como uma infraestrutura que influencia percepções, sensibilidades e processos criativos. Sob uma perspectiva teórico-crítica, o texto analisa os deslocamentos ontológicos da criação artística na transição da reprodutibilidade técnica para a generatividade estatística. Na primeira parte, desenvolve-se uma crítica ao instrumentalismo técnico, compreendendo a criatividade como um processo relacional e distribuído, produzido por mediações sociotécnicas que configuram as condições do fazer artístico, sem atribuir autonomia criativa aos sistemas técnicos. A segunda parte analisa os impactos da estética computacional sobre o estatuto ontológico da obra, que deixa de ser singular para se tornar uma instância probabilística em espaços latentes, reconfigurando a variação formal e a experiência estética. Por fim, a terceira parte aborda as implicações políticas e éticas da IA nas artes, com atenção ao extrativismo de dados, aos limites da automação criativa e à necessidade de abordagens críticas que promovam a tecnodiversidade e formas de resistência à homogeneização algorítmica. O perigo da inteligência artificial nas artes não reside na obsolescência do humano, mas na redução da criação a um regime puramente calculável. A resistência consiste em habitar o incalculável e o imprevisto, reorientando a tecnologia como um motor de diferenciação estética e política.

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Biografía del autor/a

Carlos Eduardo Souza Aguiar, Universidade Estadual Paulista

Professor Assistente do Departamento de Ciências Humanas da Faculdade de Arquitetura, Artes, Comunicação e Design da Universidade Estadual Paulista (FAAC/UNESP). Doutor em Sociologia pela Université Sorbonne Paris Cité e Mestre em Ciências da Comunicação pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP). Especialista em Ciências da Religião pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Graduado em Comunicação Social, Filosofia e Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo (USP). Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/4612171463130805

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Publicado

2026-07-10

Cómo citar

SOUZA AGUIAR, Carlos Eduardo. A criatividade após a inteligência artificial: da reprodutibilidade técnica à generatividade estatística . Revista Cientí­fica/FAP, Curitiba, v. 34, n. 1, 2026. DOI: 10.33871/19805071.2026.34.1.11572. Disponível em: https://periodicos.unespar.edu.br/revistacientifica/article/view/11572. Acesso em: 12 jul. 2026.