O espectador como co-mixador

inteligência artificial, inteligibilidade e a customização da escuta cinematográfica

Autores

DOI:

https://doi.org/10.33871/19805071.2026.34.1.11624

Palavras-chave:

Inteligência Artificial, Sound design, Inteligibilidade da Voz, Customização da Escuta, Análise Espectral

Resumo

Este artigo analisa o impacto da inteligência artificial na reconfiguração da cadeia sonora cinematográfica, da produção à recepção. Partindo da tradição verbocêntrica do cinema, discute-se a atual crise de legibilidade vocal, intensificada por escolhas estéticas e pela compressão de áudio nas plataformas de streaming. Argumenta-se que a indústria responde a esse cenário por meio de algoritmos de machine learning que aprofundam a tendência da customização da escuta, transferindo ao espectador parte do controle da mixagem. Como estudo de caso, examina-se a ferramenta Dialogue Boost, da Amazon Prime Video. A partir de análises espectrográficas das séries Maravilhosa Sra. Maisel e Fallout, demonstra-se que o recurso atua pela atenuação seletiva de sons não vocais. Os resultados indicam o reforço de um modo telefônico de representação vocal, privilegiando a clareza semântica em detrimento da fidelidade acústica e tensionando a ética da preservação da obra audiovisual.

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Biografia do Autor

Rodrigo Carreiro, Universidade Federal de Pernambuco

Professor titular da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), onde atua no Programa de Pós-Graduação em Comunicação e no Bacharelado em Cinema e Audiovisual. Cursou Mestrado e Doutorado em Comunicação na própria UFPE, com pós-doutorado na Universidade Federal Fluminense (UFF). É bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq desde 2020. Pesquisa sound design, escuta, processos criativos cinematográficos e gêneros fílmicos populares, especialmente horror e thriller. Autor dos livros A Linguagem do Cinema (Editora da UFPE, 2021), O som no cinema de horror (Editora da UFPR, 2023) e Cinema de Horror: Uma Introdução (2025, com Laura Cánepa), entre outros. Lidera o LAPIS (Laboratório de Pesquisa de Imagem e Som), grupo certificado pelo CNPq. E-mail: rcarreiro@gmail.com. Orcid: https://orcid.org/0000-0003-3087-9557. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/0263456536361820.

Débora Opolski, Universidade Estadual do Paraná

Professora do Instituto Federal do Paraná (IFPR) e do Mestrado em Cinema e Artes do Vídeo da UNESPAR. Doutora em comunicação e Linguagens (Cinema e Audiovisual) pela Universidade Tuiuti do Paraná (UTP). Bolsista Capes/Fulbright para estágio de doutorado na University of Southern California (USC), School of cinematic Arts (2015- 2016). Mestre em Música (Teoria e Criação) pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Graduação em Música (Produção Sonora) também pela UFPR. Autora dos livros Introdução ao Desenho de Som (Editora da UFPB, 2013) e Edição de Diálogos no Cinema (Editora da UFPR, 2021). Integrante dos grupos de pesquisa Cinecriare Cinema: Criação e Reflexão, da UNESPAR e LAPIS, da UFPE. E-mail: deboraopolski@gmail.com. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-7784-3626. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/5694754137339356.

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Publicado

2026-07-10

Como Citar

OCTAVIO D’AZEVEDO CARREIRO, Rodrigo; OPOLSKI, Débora Regina. O espectador como co-mixador: inteligência artificial, inteligibilidade e a customização da escuta cinematográfica . Revista Cientí­fica/FAP, Curitiba, v. 34, n. 1, 2026. DOI: 10.33871/19805071.2026.34.1.11624. Disponível em: https://periodicos.unespar.edu.br/revistacientifica/article/view/11624. Acesso em: 12 jul. 2026.