Memória e fazer poético em “O dia em que a poesia derrotou um ditador”, de Antonio Skármeta

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DOI:

https://doi.org/10.33871/nupem.2026.18.43.8647

Palavras-chave:

Ditadura chilena, dever de memória, fazer poético, “O dia em que a poesia derrotou um ditador”

Resumo

Este artigo aborda a contextualização do plebiscito de 1988 que pôs fim à ditadura chilena (1973-1990). Além de discutir as circunstâncias imediatas ao movimento, buscamos entender o papel da literatura e da memória no que se refere aos processos ditatoriais na América Latina. Para estas reflexões, de cunho bibliográfico, baseamo-nos na obra literária “O dia em que a poesia derrotou um ditador”, de Antonio Skármeta, e, teoricamente, em estudos sobre o referido cenário histórico (Schwendler e Padrós) e sobre a memória enquanto dever (Beatriz Sarlo), esquecimento (Elizabeth Jelin), trauma (Eviatar Zerubavel) e história oficial engendrada pelo poder hegemônico. O estudo ratifica a necessidade de manter vivo o debate sobre os processos ditatoriais que assolaram a América Latina, a fim de que a opressão, sempre insidiosa, não se encampe novamente.

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Fonte

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Publicado

2026-03-25