“Terra sem pecado”, LGBTQIA+ indígenas e a interseccionalidade que os/as atravessam

Autores

DOI:

https://doi.org/10.33871/nupem.2026.18.43.10651

Palavras-chave:

Imagem-Movimento, Imagem-Tempo, indígenas LGBTQIA+, afecções, agência

Resumo

Neste artigo, propomos analisar as expressões das singularidades estético-políticas das LGBTQIA+ indígenas do documentário “Terra sem pecado”. Para tanto, estabelecemos a questão: o que podemos aprender com as subjetividades estético-políticas das LGBTQIA+ indígenas do documentário? Para responder a essa questão, articulamos o pensamento Queer ao Decolonial, utilizando a análise temática na perspectiva da análise de conteúdo. A partir das narrativas, memórias e experiências das LGBTQIA+ indígenas, compreendemos que as LGBTQIA+ do documentário vivem com a empreitada de desconstruir o binarismo indígena/heterossexual imposto pela colonização, que as fazem enfrentar forte LGBTQIA+fobia por performar vivências de sexo e de gênero não normativas. No entanto, mesmo em meio a situações de violências, esses sujeitos, a partir da entrada na universidade, passam a construir mecanismos de agenciamento à matriz colonial hegemônica de gênero e sexualidades, o que exige dessas pessoas uma luta diária de autoafirmação.

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Publicado

2026-03-25

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Seção

Dossiê: Diferenças, identidades e deslocamentos na contemporaneidade: perspectivas interdisciplinares