“Fachada”: identidade, performatividade e abjeção do corpo feminino no conto em quadrinhos de “Sandman”

Autores

DOI:

https://doi.org/10.33871/nupem.2026.18.43.10610

Palavras-chave:

“Sandman”, identidade, crítica feminista

Resumo

O conto em quadrinhos “Fachada”, de Neil Gaiman (2010), publicado na série “Sandman”, inscreve-se como crítica contundente às violências simbólicas que moldam o corpo feminino em sociedades patriarcais. A trajetória de Urania Blackwell revela o esvaziamento subjetivo provocado por normas estéticas, institucionais e ideológicas. Este artigo analisa a narrativa a partir de autoras como Beauvoir (2012), Butler (2018), Irigaray (2017) e Xavier (2021), destacando como os dispositivos da máscara e do espelho operam na construção de uma identidade abjeta, impossível e performativa. O corpo de Urania, ao mesmo tempo indestrutível e impronunciável, encarna a contradição de um sistema que exige que mulheres se adaptem até a ruína. Nem mesmo a morte lhe é concedida sem a autorização de uma divindade masculina. “Fachada” denuncia, assim, os limites da agência feminina sob regimes de controle simbólico, apontando a urgência de discursos que rompam com a gramática da exclusão.

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Referências

Fonte

GAIMAN, Neil. Sandman: edição definitiva, v.1. São Paulo: Panini Books, 2010.

METAMORPHO: The Element Man. DC Comics, Califórnia, n. 10, fev. 1967.

Referências

BAUMAN, Zygmunt. Vida líquida. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2007.

BEAUVOIR, Simone de. O segundo sexo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2012.

BUTLER, Judith. Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2018.

FONSECA, Pedro Carlos Louzada. Misoginia, o mal do homem: postulados filosóficos e literários do mundo antigo e do seu legado medieval. Acta Scientiarum. Language and Culture, v. 35, n. 1, p. 75-85, jan./mar. 2013.

IRIGARAY, Luce. Este sexo que não é só um sexo: sexualidade e status social da mulher. São Paulo: Editora SENAC, 2017.

XAVIER, Elódia. Que corpo é esse?: o corpo no imaginário feminino. Rio de Janeiro: Oficina Raquel, 2021.

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Publicado

2026-03-25

Edição

Seção

Dossiê: Diferenças, identidades e deslocamentos na contemporaneidade: perspectivas interdisciplinares