Reinvenção dos semiáridos nordestinos: da voz do falo aos corpos falantes
DOI:
https://doi.org/10.33871/nupem.2026.18.43.10511Palavras-chave:
Masculinidades, Nordeste, discurso dominante, heteronormatividadeResumo
Este artigo nasce da confluência de inquietudes em torno da imposição de papéis sociais e modelos comportamentais aos sujeitos nordestinos, por meio de uma perspectiva hegemônica de masculinidade e do ideal de macheza. Valendo-se de uma abordagem interseccional de natureza interpretativista, ancorada nos estudos sobre performatividade de gênero, o presente artigo dialoga com o filme “Bacurau” (2019) e outros escritos produzidos, também, por autoras e autores nordestinos. Além disso, entrecruza análises de textos literários, fotografias, filmes, letras de canções e abordagens teóricas, propondo discutir as representações dos sujeitos nordestinos e tensionar as concepções binárias de “cabra macho” e “mulher macho” a partir de uma perspectiva fluida das construções de gênero. Assim, a partir das análises aqui tecidas, observou-se a proliferação de outras representações epistemológicas, artísticas e literárias que provocam a reinvenção do perfil de nordestinidade, acolhendo outras possibilidades de masculinidades, para além da macheza imposta ao homem nordestino.
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