Inteligência artificial como hipótese a ser testada: análise empírica de uma aula prática investigativa de Química no Ensino Médio
DOI:
https://doi.org/10.33871/23594381.2026.24.2.12305Resumen
Este artigo apresenta a análise empírica de uma aula prática investigativa de Química conduzida com 52 estudantes do 1º e 2º anos do Ensino Médio em uma escola pública de tempo integral no município de Anchieta (ES), na qual ferramentas de inteligência artificial generativa (ChatGPT e Gemini) foram integradas à determinação experimental do teor de etanol em amostras de gasolina. O diferencial metodológico consistiu em deslocar a IA da posição de fonte de respostas para a hipótese a ser testada pelo experimento. Aplicou-se questionário pós-aula com 12 itens em escala Likert e duas questões abertas, organizado em cinco constructos: aprendizagem, pensamento crítico, IA como ferramenta, uso responsável e papel do professor e do experimento. Os dados quantitativos foram tratados por estatística descritiva, análise de consistência interna (α de Cronbach) e teste de Mann-Whitney entre séries. As respostas abertas foram submetidas à análise de conteúdo temática. O instrumento apresentou confiabilidade global elevada (α = 0,815). As médias foram positivas em todos os constructos, com destaque para "Professor e experimento" (M = 4,59) e "Uso responsável" (M = 4,47). Os estudantes do 1º ano apresentaram maior aceitação da IA como ferramenta (p = 0,034). A análise qualitativa identificou seis categorias, sendo as mais frequentes a omissão/incompletude das respostas (21,2%) e os erros factuais na identificação de amostras adulteradas (13,5%). Os resultados sustentam que o uso pedagógico produtivo da IA depende menos da ferramenta em si e mais do design da atividade que obriga sua verificação.