Interiorização simbólica da ciência na Experimentoteca de Física do Mudi
mediação educativa e justiça sociocognitiva
Resumen
Este estudo analisa os processos de mediação e aprendizagem no âmbito da educação científica não formal, tomando como objeto a Experimentoteca de Física do Museu Dinâmico Interdisciplinar (Mudi/UEM). A investigação parte da problemática referente à persistência do distanciamento entre o conhecimento científico e os repertórios socioculturais dos sujeitos, notadamente em contextos periféricos aos grandes centros urbanos, fator que limita a apropriação significativa da ciência. A fundamentação teórica ancora-se na Teoria da Aprendizagem Significativa, de David Ausubel, em interlocução com abordagens socioculturais e perspectivas críticas da educação. Diante desse cenário, propõe-se a categoria analítica de “interiorização simbólica da ciência”, concebida como um processo sociocognitivo mediado pelo qual o saber científico é progressivamente integrado à estrutura de significados do indivíduo mediante a articulação entre subsunçores cognitivos, referências culturais e experiências territoriais. Metodologicamente, delineia-se uma pesquisa qualitativa de natureza crítico-interpretativa, fundamentada na Análise Textual Discursiva e na triangulação de dados sob a ótica da cristalização. O escopo do estudo não reside na verificação da consolidação da aprendizagem significativa, mas na análise de indícios iniciais de ancoragem cognitiva e ressignificação simbólica, aqui denominados “pistas de interiorização”. Os resultados indicam que elementos afetivos e culturais operam como organizadores prévios de sentido, ao passo que a mediação educativa desempenha papel precípuo na diferenciação progressiva de conceitos científicos. Observa-se que metáforas e analogias oriundas do cotidiano funcionam como mecanismos iniciais de acesso ao conhecimento, sendo progressivamente tensionadas em direção ao rigor conceitual. Conclui-se que a interiorização simbólica constitui um constructo analítico promissor para a compreensão da aprendizagem em espaços não formais, evidenciando que a democratização científica transcende o acesso à informação, envolvendo processos situados de negociação de significados e justiça sociocognitiva. Ressalta-se que os achados constituem indícios interpretativos de processos em curso, não permitindo inferências acerca de aprendizagem consolidada ou generalizações universais.