Imagens que Ensinam: Formação de Professores entre o Olhar Humano e as Telas Digitais

Autores

  • Rafaela Alves Migliorini Universidade Tecnologica Federal do Paraná
  • Awdry Feisser Miquelin UTFPR

DOI:

https://doi.org/10.33871/23594381.2026.24.2.12364

Resumo

No contexto contemporâneo marcado pela saturação de imagens nas redes sociais e pela emergência da Inteligência Artificial que produz imagens sintéticas indistinguíveis de fotografias reais, argumentamos que a tradicional ênfase pedagógica na leitura de textos escritos tornou-se insuficiente para uma educação científica significativa. Este artigo teórico defende que a alfabetização visual científica pode constituir como instrumento pedagógico auxiliar, na formação inicial de professores de ciências, que precisam ser formados para ler, interpretar e problematizar criticamente imagens científicas com autonomia e pensamento crítico, reconhecendo que as imagens não são janelas transparentes para a realidade, mas representações construídas que carregam pressupostos teóricos, marcas culturais e potenciais vieses. Propomos o conceito de "alfabetização visual científica" ancorado em três pilares interconectados: a interdisciplinaridade, a autonomia docente e o pensamento crítico. A analise bibliográfica indica que a alfabetização visual pode capacitar o professor a questionar o conteúdo das imagens, a identificar vieses algorítmicos embutidos em imagens sintéticas e a fomentar em seus alunos uma relação vigilante e reflexiva com a informação visual. Concluímos que a formação docente para o século XXI não pode ignorar o ecossistema visual híbrido em que professores e alunos já vivem, e que a alfabetização visual científica pode ser instrumento pedagógico auxiliar, na formação inicial para transformar o professor de mero espectador em intérprete crítico das imagens que ensinam.

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Publicado

2026-08-31