Progressão metodológica e alfabetização: o que os documentos norteadores da SEEDF orientam e o que lhes falta
DOI:
https://doi.org/10.33871/23594381.2026.24.2.12176Resumo
Este artigo analisa a lacuna metodológica presente nos documentos norteadores da Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SEEDF) para a alfabetização no Bloco Inicial de Alfabetização (BIA), discutindo seus efeitos sobre a prática docente. A partir de análise documental de natureza qualitativa, examina as Diretrizes Pedagógicas do BIA (SEEDF, 2012), as Diretrizes Pedagógicas para Organização Escolar do 2º Ciclo para as Aprendizagens (SEEDF, 2014), o Currículo em Movimento — Anos Iniciais (SEEDF, 2018) e o Programa Alfaletrando (Decreto Distrital nº 45.495/2024), à luz das contribuições de Soares (2016; 2020) e Morais (2019). Os resultados indicam que os documentos analisados, embora robustos na definição de princípios pedagógicos e objetivos de aprendizagem, não oferecem ao professor uma progressão metodológica explícita das facetas da alfabetização — consciência fonológica, consciência fonêmica, relações grafofônicas e notação alfabética. Identificou-se, ainda, um equívoco recorrente: a convocação da psicogênese de Ferreiro e Teberosky como referencial de intervenção, quando se trata de teoria diagnóstica que não orienta o percurso metodológico do ensino. Essa lacuna produz desmetodização e ecletismo pedagógico não intencional, fragiliza o processo avaliativo como instrumento de intervenção e isola o professor diante de decisões metodológicas que os documentos da rede não o preparam para tomar. O artigo apresenta proposições para o aprimoramento dos documentos norteadores, defendendo que a SEEDF avance da gestão e da formação para a orientação metodológica explícita, como condição para a efetivação do compromisso de alfabetizar todas as crianças até o final do 2º ano do Ensino Fundamental.