Os Focos da Aprendizagem para a Pesquisa e a escolha pela Pós- Graduação em Ensino de Ciências e Matemática

Etiane Ortiz, Sergio de Mello Arruda, Marinez Meneghello Passos, Marcos Rodrigues da Silva

Resumo


Neste artigo apresentam-se os resultados de uma investigação a respeito da aprendizagem para a pesquisa de estudantes de um curso de pós-graduação em Ensino de Ciências e Matemática. A questão que norteou a pesquisa foi a seguinte: Por que você escolheu fazer um mestrado acadêmico? Para o desenvolvimento da investigação, foram realizadas microentrevistas e conversas pelo bate-papo do aplicativo Facebook com dez estudantes, que estavam regularmente matriculados em um mesmo curso de mestrado de uma universidade do estado do Paraná. Os relatos desses sujeitos foram transcritos e analisados, segundo os Focos da Aprendizagem para a Pesquisa (FAP), propostos por Teixeira, Passos e Arruda (2015). Por meio deste estudo, pode-se constatar que os pós-graduandos entrevistados foram motivados a cursar uma pós-graduação/mestrado, principalmente pelo fator ‘interesse’ (Foco 1), sendo que esse interesse foi manifestado de diversas maneiras, entre elas: interesse em fazer parte de uma comunidade de pesquisa acadêmica, interesse por conhecer e/ou aprimorar mais determinado assunto, interesse em lecionar no ensino superior, melhorar a prática docente, melhorar a questão salarial, gosto por estudar e se aperfeiçoar profissionalmente. Evidências do conhecimento a respeito de metodologias de pesquisa (Foco 3), a participação em uma comunidade de pesquisa (Foco 5) e a construção de uma identidade de pesquisador (Foco 6), também foram observadas nos depoimentos, todavia com menos frequência que no Foco 1 (interesse).


Texto completo:

PDF

Referências


ARRUDA, S. M.; PASSOS, M. M.; FREGOLENTE, A. Focos da aprendizagem docente. Alexandria, Florianópolis, v. 5, p. 25-48, 2012. Disponível em:

ufsc.br/files/2012/11/Sergio.pdf>. Acesso em: 8 ago. 2015.

BARDIN, L. Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70, 1977, 3. ed., 2011.

CHARLOT, B. Da relação com o saber: elementos de uma teoria. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 2000.

DEMO, P. Introdução à metodologia da ciência. 2. ed. São Paulo. Atlas, 1987. p. 118.

FERES, G. G. A pós-graduação em ensino de ciências no Brasil: uma leitura a partir da teoria de Bourdieu. 2010. 290 f. Tese (Doutorado em Educação em Ciências) – Faculdade de Ciências, Universidade Estadual Paulista, Bauru, 2010.

HESSE, M. B. Operational definition and analogy in physical theories. British Journal for the Philosophy of Science, v. 2, n. 8, p. 291, 1952.

LÜDKE, M.; ANDRÉ, M. E. D. A. Pesquisa em educação: abordagens qualitativas. 5. ed. São Paulo: EPU, 1986.

MARANDINO, M. A prática de ensino nas licenciaturas e a pesquisa em ensino de ciências: questões atuais. Caderno Brasileiro de Ensino de Física v. 20, n. 2, p. 168-193, 2003.

MORAES, R.; GALIAZZI, M. C. Análise textual discursiva. Ijuí: Ed. Unijuí, 2007.

NARDI, R. A área de ensino de ciências no Brasil: fatores que determinaram sua constituição e suas características segundo pesquisadores brasileiros. 2005. 169 f. Tese (Livre Docência) – Faculdade de Ciências, Universidade Estadual Paulista, Bauru, 2005.

NARDI, R.; ALMEIDA, M. J. P. M. Investigação em Ensino de Ciências no Brasil segundo pesquisadores da área: alguns fatores que lhe deram origem. Pro-Posições, v. 18, n. 1, p. 213-

-226, 2007.

______. Educación en Ciencias: lo que caracteriza el área de enseñanza de las Ciencias en Brasil según investigadores brasileños. Revista Electrónica de Investigación en Educación en Ciencias, v. 3, n. 1, p. 24-34, 2008. Disponível em: . Acesso em: 10 ago. 2015.

NATIONAL RESEARCH COUNCIL. Learning science in informal environments: people, places and pursuits. Washington: The National Academies Press, 2009.

NATIONAL RESEARCH COUNCIL 2010. FENICHEL, M.; SCHWEINGRUBER, H. A. Surrounded by Science: Learning Science in Informal Environments. Board on Science Education, Center for Education, Division of Behavioral and Social Sciences and Education. Washington, DC, 2010. The National Academies Press, Washington, DC, 2010. Disponível em: . Acesso em: 8 ago. 2015.

SCARPA, D. L.; MARANDINO, M. Pesquisa em ensino de ciências: um estudo sobre as perspectivas metodológicas. II Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências – II ENPEC – ATAS. Valinhos: ABRAPEC, 1999.

TEIXEIRA, L. A. Tornando-se pesquisadores: um estudo a partir da análise de memórias de um grupo de pesquisa em Educação em Ciências e Matemática. 2013. 179 f. Dissertação (Mestrado em Ensino de Ciências e Educação Matemática) – Universidade Estadual de Londrina, Londrina.

TEIXEIRA, L. A.; PASSOS, M. M.; ARRUDA, S. de M. A formação de pesquisadores em um grupo de pesquisa em Educação em Ciências e Matemática. Ciênc. Educ. (Bauru), Bauru, v. 21, n. 2, p. 525-541, jun. 2015. Disponível em: . Acesso em 2 ago. 2015.

VILLANI, A. Considerações sobre a pesquisa em Ensino de Ciência: II. Seu significado, seus problemas e suas perspectivas. Revista de Ensino de Física, São Paulo, v. 4, p. 125-150, 1982.




DOI: http://dx.doi.org/10.33871/e%26p.v14i01.802

Apontamentos

  • Não há apontamentos.