COLETA E MONTAGEM COMO PROCEDIMENTOS PARA A PAISAGEM CRUEL
DOI:
https://doi.org/10.33871/sensorium.2026.13.12670Palavras-chave:
poeticas urbanas, arte contemporânea, montagem, coleta, dispositivos de mediaçãoResumo
Este artigo discorre sobre os processos criativos de trabalhos que investigam os dispositivos arquitetônicos de mediação e controle presentes na paisagem urbana; a grade, a fresta, a parede e o muro. Os procedimentos artísticos utilizados na pesquisa: a coleta e a montagem buscam investigar a paisagem urbana e a crueldade nela presente, onde o fluxo dos corpos e a organização do olhar são definidos por esses dispositivos de segurança e segregação territorial. A pesquisa acompanha a produção das obras Gambiarra nº 1, Arapuca, Persiana-ultra e Muro cujo processo artístico inicia na coleta, tanto de materiais descartados nas ruas (placas de alumínio, acrílicos, cacos de vidro) quanto de fragmentos imateriais (sons e registros fotográficos). Através da montagem que consiste na apropriação e reorganização, a pesquisa busca tensionar os limites entre o público e o privado, o institucional e o precário, entre o visível e o invisível das estruturas. Ao final, o conjunto de obras demonstra que a prática artística, ao deslocar essas estruturas para o campo artístico, permite experimentá-las fora de sua função original de bloqueio, tornando visíveis suas operações e produzindo reflexões acerca desses dispositivos de mediação tão comuns na cruel paisagem urbana.
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Referências
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