Diva pop da política brasileira: Erika Hilton e os contrafluxos da diferença

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DOI:

https://doi.org/10.33871/nupem.2026.18.43.10636

Palavras-chave:

Erika Hilton, ethos, diva pop, diferença, política brasileira

Resumo

: No mesmo país em que imperam recordes de mortes de pessoas trans no mundo, Erika Hilton é a primeira mulher travesti negra a ser eleita como deputada federal. Neste trabalho, discutimos como a imagem de uma diva pop opera no fazer político de Erika Hilton como uma estratégia discursiva e política. Embasados pelo conceito de regionalidades como contrafluxo da diferença para uma leitura do fenômeno, avançamos por uma perspectiva discursiva com vistas a entender a construção do ethos de diva pop da política brasileira a partir de materiais audiovisuais nos quais Erika Hilton aparece como entrevistada. Como resultados, percebemos que Erika Hilton fricciona um fazer político canônico marcado em representações distanciadas das pessoas. Por meio da glamorização, ela gera aproximação com públicos e redefine o espaço político. Além disso, seu corpo, alvo obstinado de violências na sociedade e entre os deputados, produz identificação e representatividade.

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Publicado

2026-03-25

Edição

Seção

Dossiê: Diferenças, identidades e deslocamentos na contemporaneidade: perspectivas interdisciplinares