Ecologia acústica como fundamento para a criação artística:
instalação sonora, espaço e memória
DOI:
https://doi.org/10.33871/21750769.2026.22.1.11996Palavras-chave:
Instalação sonora, Interatividade, Affordance, Psicologia EcológicaResumo
Este artigo relata uma investigação artística que aplica conceitos da Psicologia Ecológica de James J. Gibson (1979; 1966) e Eleanor Gibson (1969) ao desenvolvimento de protocolos para a criação de instalações sonoras e audiovisuais interativas centradas na participação ativa do público. A hipótese central apoia-se no conceito de affordance: se perceber é agir, é possível criar obras que não oferecem objetos sonoros ou visuais prontos, mas sim possibilidades de ação que emergem da relação entre o indivíduo e o meio. Apresentamos duas versões de uma instalação audiovisual interativa realizada em 2025: a primeira, montada no Parque Verde de Fazenda Rio Grande, e a segunda, adaptada para uma sala de exposições. Nas duas versões, a instalação estabelecia uma dialética entre os sons e imagens da BR-116, símbolo da fragmentação urbana do município, e as memórias históricas e afetivas da cidade. A participação gestual do público era condição para a transformação dessa paisagem sonora e visual, tornando o espectador agente ativo da obra. O trabalho articula referenciais teóricos da interatividade em arte, da performatividade e da psicologia ecológica, propondo a composição de affordances como alternativa à criação musical centrada em objetos sonoros predeterminados.
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