Haverá mundos dentro de mim:
a mulher trans negra macumbeira na experiência cênica ORI – o sentido de (re)existir
DOI:
https://doi.org/10.33871/21750769.2026.22.1.11970Palavras-chave:
Ori, Transgeneridade, Epistemologias afro-brasileiras, Teatro Negro de TerreiroResumo
Este artigo investiga a experiência cênica ORI: o sentido de reexistir (2023) como território de atuação afro centrada nas cosmologias afro-brasileiras, articulando epistemologias das macumbas com a experiência de movência de uma mulher trans negra. A pesquisa parte de uma abordagem teórico-prática, baseada nas contribuições de Onisajé para análise de um Teatro Negro de Terreiro, com o objetivo de refletir sobre como a corporeidade de atuantes negros, negras e negres pode poetizar os saberes e as ritualidades de terreiros afroindíginas em cena. São mobilizados conceitos como corpo-tela, tempo espiralar e corpoflor, compreendidos como forças de transfiguração e cura. O estudo evidencia que os terreiros de matriz africana, mesmo atravessados por tensões coloniais, constituem espaços de acolhimento e legitimidade para corpos trans e dissidentes. A análise, fundamentada na experiência da artista, demonstra que a presença trans em cena e nos terreiros é política, denunciando o racismo religioso e reafirmando que corpos trans também são guardiões de saberes ancestrais.
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