A crítica a domesticidade nos filmes de Chantal Akerman: Saute ma ville (1968) e Jeanne Dielman, 23 Quai du Commerce, 1080 Bruxelles (1975)

Autores

DOI:

https://doi.org/10.33871/19805071.2023.29.2.8096

Palavras-chave:

Chantal Akerman, Casa, Domesticação feminina, Feminismo

Resumo

Nossa hipótese é que por meio da claustrofobia doméstica que emana de toda a estrutura dos filmes Saute ma Ville e Jeanne Dielman, 23 Quai du Commerce, 1080 Bruxelles, tanto na temática como na estilística, as críticas a domesticidade e ao confinamento das mulheres se fazem presentes. Assim sendo, o cinema apresenta-se como uma linguagem importante para a visibilização de pautas e agendas feministas, que no caso dos filmes analisados possuem convergências com os movimentos de segunda onda. Tal característica é um traço marcado na produção de Chantal Akerman, sobretudo nos filmes realizados até o fim da década de 1970.

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Biografia do Autor

Natalia Marchiori da Silva, UFMG

Doutoranda na linha "Pragmáticas da Imagem" do Programa de Pós-graduação em Comunicação Social da UFMG. Mestra em Imagem e Som pela UFSCar e bacharel em Artes Visuais pela Belas Artes-SP. Atua como pesquisadora e professora de cinema e produtora de arte. Pesquisa o cinema produzido por mulheres e as relações com políticas feministas, destacando o ambiente doméstico como elemento central para o debate. Integra o grupo de pesquisa "Poéticas Femininas, Políticas Feministas'', da UFMG

Referências

Filmes citados:

SAUTE MA VILLE. Direção: Chantal Akerman. Produção de Chantal Akerman. Bélgica, 1968. Acesso: arquivo pessoal do autor do artigo.

JEANNE DIELMAN, 23, QUAI DU COMMERCE, 1080 BRUXELLES. Direção: Chantal Akerman. Produção de Paul Vecchiali. Bélgica/França: Paradise Films, 1975. Acesso: arquivo pessoal do autor do artigo.

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Publicado

2023-12-13