Mulheres artistas do surrealismo e contra-imaginário

Autores

DOI:

https://doi.org/10.33871/19805071.2023.29.2.8020

Palavras-chave:

Mulheres artistas, Imaginário, Crítica Feminista, Surrealismo

Resumo

O trabalho pretende analisar algumas obras de Leonora Carrington, Remedios Varo e Leonor Fini, artistas vinculadas ao pensamento e/ou movimento surrealista. Observa-se como a poética feminista desenvolvida por elas ao longo da carreira contribuiu para a formação de um “contra-imaginário” transformador, seguindo o termo utilizado por Tânia Navarro-Swain, por sua vez inspirada em Gaston Bachelard, capaz de reformular significados culturais e operar na dissolução de relações de poder desiguais no que concerne questões de gênero e sexualidades. Animadas pelas ideias de um movimento propositivo à ruptura com as normas, elas exploraram e buscaram reformular os significados do feminino na cultura ocidental pelo mergulho em si mesmas, em outras mitologias e naquilo esquecido ou recusado pela racionalidade dominante – alquimia, misticismo, bestiário.  Portanto, o texto visa debater, a partir das ideias e críticas feministas, a contribuição dessas obras para a formulação de um imaginário amigo das mulheres, isto é, filógino, como defende Margareth Rago.

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Biografia do Autor

Ana Carolina Salvi, Universidade Estadual de Campinas

Doutoranda em História na linha de Gênero, Subjetividade e Cultura Material na Universidade Estadual de Campinas. Graduada em Psicologia e mestra em Artes Visuais pela Universidade Federal de Pernambuco. Participa como pesquisadora no seminário "Connecting Art Histories: Narrating Art and feminisms - Eastern Europe and Latin America", parceria entre a University of Warsay e Getty Foundation. Tem como foco os temas de Gênero e Subjetividade em diálogo com Arte, Psicanálise e História.

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Publicado

2023-12-13