Quando a casa é o inferno e 'palco' de fabulação

feminicídios e performance durante o confinamento

Autores

DOI:

https://doi.org/10.33871/19805071.2023.29.2.7994

Palavras-chave:

Performance, Feminismos, Feminicídios, Pandemia

Resumo

Interessa nesse artigo aprofundar em duas propostas artísticas de performance, criadas e apresentadas durante a Pandemia da Covid-19, no período de quarentena, nas quais a visibilidade, a denúncia e a possibilidade de fabular criticamente - e de imaginar outros atributos da vida que não apenas os de descartável, anônima ou ausente - conduzem e trilham o percurso de cada trabalho. É assim que estabeleço diálogos com e entre os trabalhos de performance das artistas Priscila Rezende (BR) e XXX (PE), cujo tema central são os feminicídios e, decorrente disso, a urgência de nomear, de fazer memória, e de escrever a contra-história. Por outro lado, destaco que pensar, falar, performar e escrever sobre violência contra as mulheres, crianças e dissidências na América Latina traz de modo implícito uma abordagem na qual os marcadores sociais de raça, sexo-gênero e classe se atravessam de modo transversal. É a partir de uma abordagem transfeminista, e de pequenas (in)filtrações autobiográficas no texto, que o conceito e processo continuo de despatriarcalização se faz presente e urgente nas performances. Proponho, portanto, que performar contra o patriarcado é contribuir com seu colapso. 

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Biografia do Autor

Sandra Bonomini, Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro - UNIRIO

Artista cênica, performer, pesquisadora e tradutora. Doutoranda em Artes Cênicas pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO). Mestre em Artes Cênicas pela UNIRIO, com linha de pesquisa em Performance, corpos, linguagens, imagens e cultura. Possui especialização em Movimento e Ação: Arte da Performance pela Faculdade Angel Vianna, Rio de Janeiro/Belo Horizonte. Bacharel em Artes Cênicas pela Pontifícia Universidade Católica do Peru. Vencedora (segundo lugar) do II Concurso de  Ensaios  de investigação e Perspectiva de Gênero, organizado em 2020 pela Cátedra UNESCO pela Igualdade de Gênero - PUC-Peru. O ensaio intitula-se: “120 dias de silêncio: reflexões a partir da performance Presencia de Regina José Galindo”. Colabora como tradutora na ZAZIE Edições - editora independente Brasil/Dinamarca-, na coleção Perspectiva Feminista. Seus interesses acadêmicos abraçam as práticas artísticas contemporâneas latino-americanas, principalmente a arte da performance em articulação com pensamentos e pedagogias feministas e descoloniais. Integra o coletivo internacional Latido Americano de performance criado durante a pandemia em 2020, e do qual assinou a co-curadoria da participação do Peru.

Seu trabalho acadêmico já foi publicado no Brasil, Peru e Chile. Apresentou seu trabalho artístico em Lima, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, São Paulo, Berlim, Colônia (Alemanha) e Nova York. Vive e trabalha no Rio de Janeiro. 

Link de acesso ao currículo Lattes: https://lattes.cnpq.br/9666749981630709 

email: bonominisan@gmail.com

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Publicado

2023-12-13