(RE)CONHECER-SE AOS OLHOS DE OUTRA

UM OLHAR SOBRE RETRATO DE UMA JOVEM EM CHAMAS

Autores

  • Juslaine de Fátima Abreu Nogueira Universidade Estadual do Paraná - Unespar
  • Helena de Martini Melo Universidade Estadual do Paraná (Unespar)

Palavras-chave:

Retrato de uma jovem em chamas;, Olhar, (Re)conhecimento de si e do outro, Comunidade Feminina, Experiência Lésbica

Resumo

A experiência lésbica toma o primeiro plano nesse artigo ao analisar o relacionamento de Héloïse e Marianne em Retrato de Uma Jovem em Chamas (2019), de Céline Sciamma. Pela perspectiva da transformação do olhar compartilhado pelas personagens, tece-se uma análise que busca problematizar como as escolhas formais no filme produzem efeitos de sentido que sinalizariam uma passagem para uma outra constituição ético-polí­tica e estética potencializada pelos ví­nculos entre experiência lésbica, (re)conhecimento de si e do outro e modos do viver compartilhado. Visibiliza-se tais transformações, na obra, a partir de três (retr)atos: Olhar Institucionalizado e Norma, Intimidade e Comunidade e, por último, Amor e Memória. Um diálogo feminista ampara esta análise, especialmente com alguns textos de Laura Mulvey (1983), Adrienne Rich (1979; 2010) e Anne Carson (1988; 2003). Tais autoras permitem bases analí­ticas para pensar os ví­nculos entre escolhas formais e olhar, reconhecimento, vida e continuum lésbico em Retrato de uma Jovem em Chamas.

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Biografia do Autor

Juslaine de Fátima Abreu Nogueira, Universidade Estadual do Paraná - Unespar

Doutora em Educação pela UFPR. Professora adjunta da Universidade Estadual do Paraná (Unespar) – campus de Curitiba II/Faculdade de Artes do Paraná - FAP e vinculada ao Bacharelado em Cinema e Audiovisual. Coordena o Núcleo de Educação para as Relações de Gênero do Centro de Educação em Direitos Humanos (NERG/CEDH – campus FAP). Pesquisadora do GILDA – Grupo Interdisciplinar Linguagem, Diferença e Subjetivação (UFPR/CNPq). Dedica-se aos estudos do discurso cinematográfico e da Educação, especialmente em conexão com a filosofia polí­tica pós-estruturalista. Como realizadora, dedica-se ao documentário, tendo dirigido o curta As verdades de Ale em nós (2017) e co-dirigido, com Eduardo Baggio, o longa A Alma do Gesto (2020).

Helena de Martini Melo, Universidade Estadual do Paraná (Unespar)

Bacharela em Cinema e Audiovisual pela Universidade Estadual do Paraná (Unespar) - campus de Curitiba II/Faculdade de Artes do Paraná (FAP). Pesquisa sobre cinema queer, com ênfase no estudo sobre a experiência lésbica e a sua representação na sétima arte. Possui filmes de sua autoria premiados pelos festivais Art Sessions e I Mostra Artí­stica da Unespar.

Referências

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Publicado

2022-07-20